Eu sou a mãe atarefada, que cozinha um belo almoço mineiro quase todo dia. Leia-se almoço feito com atenção em cada detalhe, temperos frescos, alho socado no pilão na hora, arroz feito em duas etapas (4 águas), o maior cuidado com textura, sabor, cores, aparência e cheiro. Muito alho e muita cebola. Claro que não pode faltar um cheiro verde. Dizem que "minha comida" parece comida de vó ou mãe. Fico super lisonjeada quando ouço: "Que delícia! Está igual ao da minha mãe."
Enquanto só tinha um filho eu punha a mesa todo dia, com jogo americano, talheres e pratos duralex rosê impecavelmente no lugar, uma fileira de panelas no centro, lindas e brilhantes, fumegando de quentes, exalando os cheiros e fazendo as bocas presentes se encharem d'água. Colocava até arranjo de flores frescas. Com direito a suco natural e às vezes sobremesa. Agora!? Como na mesinha na área de serviço junto com eles na maior bagunça. Em pratos de plástico e com um pano de limpeza junto. Mas é a fase. Depois voltarei à pompa e circunstância! (Sou dessas que não dispensa o glamour!)
Claro que não sou boba, tenho minhas estratégias pra facilitar, simplificar e ser mais rápido. Congelo, divido, faço panelão que dá pro dia seguinte, adianto, faço farofa com restinhos, preparo salada que dura, preparo uma coisa no almoço que vira outra na janta, compro legumes e hortaliças picadas, etc...
Só me dou folga em domingos e em dias festivos, ou quando optamos por um passeio. Nesses dias o pai assume a cozinha, ou comemos fora, ou esquentamos o que tem pronto.
Meu maior desafio é cozinhar com três crianças ao meu redor, gritando, pulando, brigando, chorando, falando, etc. A mais difícil é a bebê que quer ficar no colo e colocar a mão em tudo. Se fica no bebê conforto ou carrinho se remexe até cair. Fora o choro... Atualmente os dois mais novos sentem sono bem durante o preparo do almoço. Então desligo tudo e vou dar peito até que adormeçam pra eu conseguir terminar.
Não cozinho porque amo cozinhar. Cozinho porque somos uma família e temos necessidade humana de alimentação. Como em tudo o que encaro fazer dou o meu melhor, faço com amor e capricho. Três refeições por dia, mais frutas e sucos naturais nos intervalos. Café da manhã com sustança pra começarmos bem o dia. Almoço com arroz, feijão (todo dia!), salada, um legume cozido e uma carne. O lanche do final da tarde é mais simples pra sujar menos louça e bagunçar menos a cozinha. O jantar é um mexido simples, só esquento alguns restinhos do almoço misturados. Não fico de Isaura depois de escurecer.
Não cozinho porque amo cozinhar. Gosto, mas queria que fosse só de vez em quando. Meu sonho era estar brincando no quintal com as crianças e alguém gritar na janela: "O de comer tá pronto!"
A rotina de ser mãe e dona de casa ao mesmo tempo mata. (E ao mesmo tempo dá vida. Afinal, não tenho direito de adoecer, de curtir uma "bad" de boa, ou curtir preguiça num dia frio.) É uma engrenagem que não pode parar. Ser mãe é bom. Ser dona de casa é bom. O que mata é ser as duas coisas ao mesmo tempo! Cada uma dessas duas funções contempla várias outras funções. É exaustivo. É dinâmico. É complexo. Geralmente homem não tem a mínima capacidade de ser pai e dono de casa. Gerir as demandas, o planejamento, as contas, as compras, a despensa, os horários, a roupa suja/ lavando/ passando/ no varal/ dobrando/ guardando, as atividades escolares, as datas, as reuniões, as festas na escola, os conflitos da vida social dos filhos, etc e mais mil etcéteras...
Cada uma das fases de preparar almoço é um desafio: planejar, comprar, preparar, dar almoço para as crianças, arrumar a cozinha depois... (se sobrar tempo almoçar também! Rsrsrs) E ainda deixar tudo engatilhado para o próximo almoço.
Falar "concês"... Não é mole!
Confesso que quero ficar rica pra ter vários funcionários. Mas enquanto não tenho, fico aqui exausta e surtada entre as mil demandas de casa e filhos. Eu queria trabalhar fora pra descansar no serviço! Rsrsrs
Dedico mesmo. Mas claro que deixo a desejar em outros setores. Casa e meninos são prioridade. Mas vida social, lazer, passeios na rua, atividade física, namoro, atividades religiosas, encontros com amigos ou familiares: tudo praticamente zero. A vida é composta de escolhas... Claro que isso faz mal, que estou adoecendo. A exaustão é real e fiel companheira. Também, não era pra menos: 4 anos e meio amamentando sem parar, eterno puerpério, três partos normais em 4 anos. Esse tempo todo sem dormir NENHUMA NOITE INTEIRA. Fazem ideia do quê significa isso?!? Mas é só questão de tempo, já que preciso esperar a caçula completar 2 anos pra poder ficar na escolinha ou outra pessoa pra eu retomar a vida fora de casa.
Não estou reclamando. Até porque não adianta. Só estou dando a real. Fatos. Lido com eles. Encaro a nobre missão de criar esses meninos dando meu melhor. Mesmo que signifique morrer um pouco todo dia. Mesmo que signifique abrir mão de sonhos, planos, liberdade, mobilidade, autonomia e independência. Aos poucos acredito que vai melhorar. Quem sabe eles crescem e dividem as tarefas, de modo a ficar bem mais leve pra mim?
Quem sabe eu renasça como uma mulher leve, feliz e tranquila?
Um cantinho virtual onde posso registrar e compartilhar minhas memórias, crônicas, declarações de amor e o que mais o coração pedir. Meu compromisso é apenas com meus sentimentos, não com leitores, com instituições, cronologia, nada. Escrever é a minha forma de me expressar e organizar as ideias. Como tenho três filhos pequenos falta tempo e silêncio para escrever. Logo, todos os textos estão em fase de edição constante.
2019-05 Depressão
(Atenção para a data em que foi escrito este texto: Maio de 2019.) Olá, amigas queridas. Mais ou menos de 3 em 3 meses gosto de ...
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Olá, amigas queridas. Mais ou menos de 3 em 3 meses gosto de enviar um "relatório" com notícias minhas e de minha família. É muito...
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Nos anos 2016 e 2017 eu vivi uma árdua fase de isolamento social. No início eu achei incrível, morar numa fazenda no interior de Goiás, as á...