terça-feira, 10 de setembro de 2019

2018-11 Festival de dança

Ontem, o mozão, as crias (e o barrigão, é claro!) fomos a um festival de dança no coreto. Mas eram algumas artes misturadas: teatro, música e circo estavam presentes.

Tiveram várias apresentações do pessoal do Capão e também de outras cidades da Chapada e de Salvador. Tinha até artista africano.

Também na platéia tinha gente colorida de outros cantos, sabe aquelas negras cheirosas feitas no pincel!? Suas peles e traços lindos, hipnotizantes... Aquelas baianonas de deixar a gente sem palavras? Nossa... Fiquei arrepiada. Sotaques fortes soteropolitanos até nos gestos. Me senti tão mergulhada na alma baiana que não resisti ao cheiro de acarajé no ar que comprei um e degustei enquanto assistia as apresentações. E tava era bom!

Só pra constar: está sendo um feriado atípico aqui. Um pouco baixo astral porque é dia de finados, então sem aquela euforia comum de quem vem se esbaldar no Vale em 3 dias (entre baladas e álcool). Está sendo mais cultural, mais famílias baianas que vêm se encontrar, descansar, curtir de leve a natureza e a vida na comunidade. Essa vibe mudou as caras dos visitantes e o estilo em geral do movimento na Vila.

Teve uma apresentação de uma senhora cadeirante com os cabelos grisalhos junto com um artista circense não cadeirante. Delicado e profundo. Trouxe a reflexãode várias coisas, como o respeito aos mais velhos, a inclusão com pessoas com deficiência, o convívio respeitoso e carinhoso entre os diferentes, a profundidade nos olhares, a cooperação, etc, etc... Sem dar uma palavra!

Teve uma apresentação de 4 moças jovens com um vestido marrom escuro esvoaçante e suavemente transparente, sem roupa íntima! Era dança afro, mas uma coisa intensa, visceral, que toca fundo na gente...

E tiveram muitas outras apresentações que não pude acompanhar de perto porque meus filhos queriam gastar energia no parquinho. Mas vi e ouvi de longe, e li na programação. Mas o coreto estava lotado, muitas pessoas assistindo concentrados e com olhos brilhantes de encantamento.

Fiquei refletindo sobre tudo o que o povo negro sofreu desde que começaram a ser capturados na África, trazidos pra cá em péssimas condições, os sobreviventes escravizados, e todo o resto que sabemos da história até os dias atuais. Gente, é uma história muito pesada pra se carregar na pele e ainda sofrer com tudo! E com medo, com violência, com dor, com humilhação... E eles conseguem carregar tudo com força, coragem, alegria, brilho, criatividade, bom humor e a capacidade de se reinventar todo dia. Como os admiro! Eles são a pura imagem da resistênci0a.

Fiquei lembrando do seriado "Ó paí ó", que mostra a vida de uma parte dos soteropolitanos e suas maneiras de lidar com os conflitos sociais que vivem no Centro Histórico de Salvador. Com crítica social, ironia, bom humor, criatividade, muita cor, muita arte, sensualidade e às vezes sensibilidade. Claro que é uma produção da Rede Bobo, né... Então de certa forma pegaram leve na crítica e capricharam mais na estética. Mas não deixa de ser um espetáculo interessante e divertido, que mostra para o resto do mundo um pouco do "jeitinho baiano de ser".

Eu conheço a Bahia desde 2001, desde então fiquei rodeando, morei em momentos diferentes em cidades do interior, estou na Chapada há cinco anos, casei e estou parindo e criando meus filhos aqui. Acho que é um bom lugar para eles passarem a infância, junto à natureza, em clima de comunidade, convivendo com pessoas de várias partes do mundo, num ambiente favorável à saúde e alimentação saudável, com uma segurança e tranquilidade que não se encontra fácil em outras cidades. Mas é interessante que moro aqui há cinco anos e nesse período nunca fui em Salvador! O meu contato com o pessoal de lá é esse: recebê-los aqui! E conviver com quem saiu de lá e veio morar aqui. Então nunca fiz prática de imersão lá. Rsrsrsrs (Já estive lá duas vezes, mas superficialmente, como turista.) Este evento fez eu me sentir na capital! E com orgulho de ter sido uma das cidades em que a maioria da população votou em Haddad e não no demônio! A vontade é sair distribuindo abraços neles! Rsrsrsrs

Com esse demônio no poder e seus súditos colocando tudo isso em prática... Assisti ao espetáculo com um nó na garganta! Mas ao mesmo tempo com orgulho da coragem e força deles! Nunca senti tanto orgulho da Bahia quanto agora! A sensação era do bicho pegando lá fora (nas outras regiões do país) e nós aqui desfrutando de espetáculos de alto nível de arte com nossas crianças. Ô, bolha abençoada!

A arte é a vida deles, é resistência, é existência, é sobrevivência!

Viva o ARTEVISMO!

Viva Mestre Moa do Catendê!

Viva Zumbi dos Palmares!

Viva a Consciência Negra!

Viva os quilombolas, os ribeirinhos, os indígenas, todas as comunidades tradicionais!

Viva as mulheres!

Viva os pobres, trabalhadores e artistas!

Marielle vive!


Tamo junto! É nóis!







Parabéns aos organizadores e todos que fizeram este evento acontecer. Veio em muito boa hora, quando precisamos de arte para aliviar os desgostos políticos e nos unirmos.

2019-05 Depressão

(Atenção para a data em que foi escrito este texto: Maio de 2019.) Olá, amigas queridas. Mais ou menos de 3 em 3 meses gosto de ...