Olá, amigas queridas.
Mais ou menos de 3 em 3 meses gosto de enviar um "relatório" com notícias minhas e de minha família. É muito bom dizer o quanto as crianças estão se desenvolvendo bem, descrever um pouco do lugar onde vivemos e da nossa rotina. Gosto de escrever, de contar com emoção, com detalhes e uma pitada de gracinhas pra ficar gostoso de ler. Adoro as reações das amigas, que se aproximam e dão retorno se abrindo também. Assim a gente vai se mantendo próximas apesar da distância física.
Desde que engravidei de Marcelo "optei" por uma vida simples no Capão junto ao Víni. E sou muito grata por tantas coisas boas que vivemos, a nossa relação de casal, a vida com com filhos, nosso humilde e aconchegante lar, o trabalho dele que nos dá o sustento e nos privilegia com a presença dele em casa (muito mais que num emprego formal). Sou grata pelas pessoas especiais em nossas vidas, os que moram próximos e os distantes. Sou grata por nossa saúde, pela nossa qualidade de vida (apesar dos recursos modestos) e pela nossa paz. Sou grata por tantas experiências que vivemos que formaram nosso caráter, nossos valores, nosso conhecimento e nosso posicionamento perante a vida e seus desafios. Sou grata. Maaaassss...
A vida não é um mar de rosas. Temos problemas, contas pra pagar, rotina, cansaço, dores, frustrações, medos, ansiedades e vários pequenos probleminhas. Some-se a isso um enorme desânimo com a política no país (a dor diária de pensar que vivemos um pesadelo: aquele demônio no poder e tudo de ruim que isso representa e implica).
Mas além disso tem outras cositas que quem é próximo a mim sabe: eu tive três filhos, um atrás do outro. Imagine o que são quatro anos e cinco meses amamentando sem parar, com um peito grande e outro pequeno (com várias complicações). Imagine o que são quatro anos sentindo as dores físicas e emocionais de três puerpérios. Imagine o sentimento de culpa por ter engravidado assim, na sequência, três vezes!?
Mas não posso me cobrar pelas três gravidezes. Todas foram em momentos especiais, de formas especiais, com muito amor. Todas as três vezes foram com o pensamento: “No próximo mês vou ao posto de saúde providenciar um método contraceptivo.” Mas no segundo mês já estava grávida. A primeira vez foi quando vim morar no Capão com Víni, em plena lua de mel, há exatos 5 anos. Enfim sós... O Vale em flor de quaresmeiras, o romance no ar... Músicas, comidinhas, declarações de amor sob cachoeiras, céus lindos de outono... Não deu outra. (Só essa gravidez e toda a transformação que ela trouxe pra minha vida já é tema pra um livro. Mas deixemos pra outra ocasião). Quando Marcelo completou um ano eu coloquei o DIU. Não me adaptei. Usei por 6 meses. Não aguentei e tirei. Iria tentar algo menos agressivo. A segunda foi após ter ficado longe de Víni por 3 meses (tinha ido pra BH terminar a graduação). Voltei pra casa cheia de amor pra dar. Foi bem quando Marcelo passou a dormir fora de nossa cama, bem quando Víni comprou um colchão novo maravilhoso. Pagou uma entrada e mais nove prestações. Na última Hugo nasceu. (Rsrsrs) A última concepção foi há um ano, logo após voltarmos ao Capão depois de dois anos fora, na aridez do cerrado desmatado no interior de Goiás. Nós não nos adaptamos à cultura e à secura de lá. Voltamos pro Capão cheios de alegria. A mudança foi uma saga (tema pra um texto longo em outra ocasião). Assim que estava tudo em ordem, na páscoa, meu amor pra cá e pra lá e pimba! Olha a semente Catarina plantada. No início foi difícil aceitar a gravidez, pois eu sabia o quanto estaria ferrada pra cuidar de três pequenos. Mas aos 4 meses, quando vimos que era a sonhada princesa Rosa, nos derretemos e abraçamos a ideia...
Mas o desespero de ter três filhos só não é maior que o medo de ter quatro. Como já tive três provas da potência da nossa fertilidade, não posso arriscar mais. Antes eu achava que precisava estar menstruando (consequentemente ovulando) para engravidar. Como depois que temos filho levamos mais ou menos um ano pra menstruar de novo, eu achava que poderia ficar tranquila. Doce ilusão. Não sabia de nada a inocente. Pra evitar qualquer risco estamos usando preservativo e anticoncepcional, até daqui a um mês quando ele vai fazer vasectomia. Aí é que a porca torce o rabo! Anticoncepcional me mata! Eu vivo numa constante TPM, sofrendo com fortes dores físicas e emocionais. Já ouviram falar TDPM? Pesquisem aí. É uma super TPM. Daquelas que se a mulher matar alguém no período pode ter pena reduzida. (Rsrsrs) Tenho vontade de pôr fogo na cartela de anticoncepcional.
Mudando de assunto, voltando para o assunto inicial:
Imagine o quanto eu gostava do meu curso na UFMG e o quanto significava formar lá e ter uma vida profissional na área que escolhi. Eu dediquei com muito amor, mas nadei nadei e morri na praia. Claro que todo o conhecimento é válido, eu tenho o maior carinho e respeito por tudo o que aprendi. Mas até hoje não consegui usar nada pra ganhar dinheiro. Isso me dói. Tenho um puta potencial, capacidade mental, de projetar e também de agir. Mas... Atualmente é tudo dedicado somente à maternidade e gestão do lar.
Eu sempre fui muito ativa, sempre dei meus corres e desenrolava mil coisas. Agora vivo presa pelo peito, cansada, com sono, lenta como um zumbi. Como eu gostaria de trabalhar todo dia! De me envolver em projetos, em dedicar meu tempo, minha inteligência e experiência numa atividade e uma vez por mês receber dinheiro por isso. Tem a ver com dignidade, com autonomia, com independência, possibilidade de escolha e mobilidade. Tudo o que não tenho mais desde que nasceu meu primeiro filho.
Eu sou aquariana. Prezo a liberdade e tenho a mente à frente. Piro se ficar presa a um lugar, ou situação ou mesmo a uma pessoa. Amo mudanças de todos os tipos. Quando penso em morar (ou trabalhar) no mesmo lugar pra sempre eu choro e desespero. Eu gosto de movimento, de coisas acontecendo. Adivinhem como me sinto no Capão? Sufocada pelas montanhas inertes! Eu quero, por opção, morar numa cidade pequena. Mas que tenha calçamento e calçadas, casa lotérica, banco, praças, ônibus e outros recursos que compõem a vida em sociedade, com um mínimo de urbanidade. O último dia em que andei de ônibus foi em 2016 em BH! Não posso jogar na Mega sena porque aqui não tem nem casa lotérica! Não tem banco pra eu entrar e curtir o frescor de um ar condicionado num dia quente, ou mesmo fazer amizade na fila. Pra vocês que moram em cidades, imaginem o quanto essas bobagens fazem falta.
Eu já sei o estado e a região em que quero morar. Espero que possamos mudar pra lá antes de os meninos entrarem na adolescência. Enquanto não chega o momento olho pras montanhas e fico suspirando.
É dureza morar num lugar onde a gente se sente limitado. Ainda tem a questão social: o enturmar. Aqui no Capão existem mil "panelinhas": os veganos, os artistas, os do circo, as mães, os malucos de BR, os nativos, os empreendedores, os ateus, os crentes, os católicos, os espíritas, os atletas, os das terapias alternativas, os chiques, os que andam descalços com cachorros em volta, as femininas, os pingurços, etc, etc... E adivinhem de qual grupo faço parte? Dos excluídos. Exatamente. Nenhum. Com três crianças não consigo administrar tempo e toda a logística pra participar de algo com regularidade. Resultado: me contento com umas voltinhas na Vila ou em cachoeiras nos dias de folga. Mas eu queria mais! Gosto de gente, de convívio, de profundidade.
Por falar em não regularidade: não estou conseguindo praticar atividade física. Nem caminhar. Até tomar um pouco de sol é difícil. Fico envolvida na rotina da casa e dos meninos que acabo deixando em segundo plano. Racionalmente sei de tudo, mas na prática... Todo e qualquer tempinho de boa só quero descansar. A preguiça de andar na lama ou na poeira, sob sol ou sob vento/garoa/chuva impera. Assim vão passando os dias e me torno uma planta murcha no canto da casa. Resultado: corpo parado, zero hormônios de prazer e bem estar e muito hormônio de estresse.
Outras coisas simples que eu sempre gostei e me faziam bem já não consigo fazer, tipo ouvir música, dançar, costurar, cuidar das plantas ou preparar uma comida gostosa. Os meninos não deixam. Tudo o que vou fazer é com eles ao redor futricando, se colocando em perigo, brigando, chorando ou atrapalhando. Aí se não estiver nas demandas normais (banhos, fraldas, cozinha, conflitos, etc) fico como uma estátua no sofá, amamentando. No máximo assistindo algo ou fuçando no celular.
Estou me sentindo uma velha rabugenta. E feia. Da última gestação fiquei com a barriga aberta. Trem estranho. Uma barriga que nunca me pertenceu. Estrias, celulites e pele mole pra todo lado. Cabelos brancos caindo horrores. Sinto que sou uma gelatina derretendo. Rugas, olheiras e manchas no rosto. Credo. Parece que estou mais morta que viva.
Sinto tanta falta de viajar... Nossa... A última vez que vi o mar foi em João Pessoa antes de mudar de lá pra cá em abril de 2014. 5 anos sem mar. Pronto: morri. Mesmo que a gente possa vir a viajar com frequência um dia, não será a mesma coisa. Eu tinha um mapa do Brasil que eu abria e com a mochila nas costas decidia a rota. E caso aparecesse algo legal que desviasse a rota, tudo bem. Agora? Não vou nem na cidade vizinha a 20km de casa. Aí entra um dos maiores sonhos que tenho: aprender a dirigir. Isso depende de três coisas: 1- alguém pra cuidar dos meninos 2- boa vontade/tempo do Víni me ensinar 3- dinheiro pra tirar carteira. Ou seja, vai demorar. Não sei como fui capaz de passar 5 anos dentro de uma faculdade, em vez de tirar CNH!
Como último tópico pra chorar as pitangas quero mencionar o tanto que sinto falta de escrever. Tenho várias ideias para blogs e até livros. Mas é impossível eu ficar na frente do computador por mais de cinco minutos sem ninguém pular em cima, chorar, puxar meus peitos e pedir "Peppa". Minha maior frustração. Escrevo uns três textos mentalmente por dia. Tenho certeza que quero ser escritora.
Bem, até aqui deu pra ter uma noção dos motivos pelos quais me sinto cansada e triste. Tem outros, mas nem quero mencionar.
Desculpe tomar o precioso tempo de vocês com este textão, reclamando da vida. Mas eu precisava desabafar senão eu ía explodir. (Mais um tópico: ausência de amig@s próxim@s para conversar ao vivo. Todo mundo nos seus próprios "corres", até as fiéis amigas distantes.)
Não se enganem com fotos minhas sorrindo com a família em lugares bonitos como num comercial de margarina. Consigo ser falsamente bela, mesmo triste. A gente perde o tarja preta, mas não perde a pose! Rsrsrs Claro que não vou escancarar a depressão no Facebook. Também peço a discrição de vocês. Mas por aqui me senti à vontade para lhes dar a real. Peço carinho, respeito e compreensão. Dispenso julgamentos, sentimentos de pena e cobranças. Não precisa dizer "Você tem que fazer isso e aquilo." Eu sei o que preciso fazer. Só preciso conseguir. Só emanem para mim boas vibrações e orações. Também aceito ajudas reais, tipo ficar com os meninos pra eu conseguir fazer algo. Também aceito links para bons textos, filmes, palestras ou qualquer coisa útil. Na atual conjuntura até piada é útil! Rsrsrs Também aceito doação de livros espíritas, ou livros virtuais. Também aceito presentes como flores, mudas, frutas ou chocolate. Rsrsrs Qualquer coisa que possa levantar o astral de quem está derrubada. (Com certeza as orações são as mais eficazes.)
Peço desculpas às amigas queridas a quem não estou conseguindo "cuidar", dar a atenção que acho que merecem. Depois que eu me recuperar voltarei a pentelhar vocês (e suas crias).
Amo vocês. Obrigada por serem meus "orelhões". Sigo no mantra: "Vai passar."
Júnia Patrícia.
Maio 2019.
Um cantinho virtual onde posso registrar e compartilhar minhas memórias, crônicas, declarações de amor e o que mais o coração pedir. Meu compromisso é apenas com meus sentimentos, não com leitores, com instituições, cronologia, nada. Escrever é a minha forma de me expressar e organizar as ideias. Como tenho três filhos pequenos falta tempo e silêncio para escrever. Logo, todos os textos estão em fase de edição constante.
quinta-feira, 30 de abril de 2020
2019-05 Depressão
(Atenção para a data em que foi escrito este texto: Maio de 2019.) Olá, amigas queridas. Mais ou menos de 3 em 3 meses gosto de ...
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Nos anos 2016 e 2017 eu vivi uma árdua fase de isolamento social. No início eu achei incrível, morar numa fazenda no interior de Goiás, as á...