Acredito que minha primeira experiência com a leitura e a escrita foi quando eu nem sabia ler e escrever. Dos 7 aos 10 anos, da primeira à quarta série, eu convivi diariamente com a Tati, que se tornou minha melhor amiga da vida toda. Nós duas trocávamos cartas todos os dias, um dia ela um dia eu. No início eram desenhos e à medida em que éramos alfabetizadas passamos a escrever. Era um lindo elo de amizade entre nós. Depois disso colecionamos papéis de carta, mas não escrevíamos! Eram intocáveis! (risos) Vou perguntar o que ela fez com aquelas pastas. Depois passamos a morar em cidades vizinhas e de vez em quando trocávamos cartas pelo correio. Escrevíamos em códigos sobre os primeiros suspiros de amor, sobre a vida em família, sobre os desafios da adolescência. Foi tão bom... Mas agora com as tecnologias e a falta de tempo - ambas somos mães - escrevemos pouco. Mas tudo bem. A experiência pretérita vale mais, pois ajudou na minha formação pessoal.
Quando eu tinha 9 anos eu escrevi um texto entitulado "O balãozinho azul". Infelizmente não me lembro do conteúdo nem tenho uma cópia, mas foi meu primeiro texto admirado, copiado e compartilhado. A professora gostou tanto que copiou no mimiógrafo e entregou cópias para as outras professoras distribuírem com as outras turmas. Já fiquei com o ego de escritora mirim inflado.
Na quarta série tive uma professora muito exigente que cobrava postura, posição certa de apoiar o caderno, de segurar o lápis, de posicionar todos os objetos, etc, etc... Ela cobrava que escrevêssemos com a mão firme a fim de o lápis ficar bem visível no papel branco. Eu fazia tanta força que todas as páginas ficavam marcadas atrás. Até hoje escrevo assim! - Obrigada, Dona Mariangêla!
Na 5ª série escrevi um texto sobre a independência do Brasil. Também não guardei cópia. Mas ficou tão legal que o professor duvidou que eu que tinha redigido. Ele até queria me dar nota menor. Se existisse Google ele teria vasculhado para tentar provar que era plágio. Mas não era. Ele reclamou que não havia nem erros ortográficos. Escrevi um diálogo entre mãe e filha, onde a filha perguntava sobre o que era independência para a mãe. Narrativa leve e agradável, madura e ao mesmo tempo de entendimento fácil. Nunca esqueci a cara do professor insistindo pra eu confessar de onde copiei.
Se você que está lendo era daquela turma do professor Elson, vai lembrar da confusão.
Patrícia Fonseca, lembro do seu pseudônimo de Onça Pintada, que o professor pensou que era eu! (Risos)
Na 7ª série participei do debate literário na escola, era tipo uma gincana. A cada bimestre havia uma competição dentro de cada sala que tinha prova escrita e um debate, meio que um jogo de perguntas e respostas de cada livro. Era um livro por mês, proposto pela professora. Eram livros iguais para todas as turmas, que a cada bimestre trocavam entre si. O grande debate ocorria ao final do ano, com uma dupla representando cada turma. Era muito legal, todo mundo se envolvia, dava seu melhor. A gincana acontecia na quadra, que ficava cheia e tinha até torcidas organizadas. Eu e meu par arrasamos, fizemos até cenas teatrais fortes, como a cena de um sequestro e tentativa de estupro. Lembro que voou botão pra todo lado. Foi emocionante. Participei também na 8ª, com o mesmo par. Na época os prêmios eram fuleiros, como caixas de bombons, um dicionário e uma medalha. Depois eu mudei de escola, aí nos anos seguintes o prêmio foi um computador, rádio microssystem e outros eletrônicos chiques na época. Mas valeu. Ter vencido naqueles dois anos não tem preço. Lembro que alguns amigos que foram "massacrados" por nós nos odiaram por anos! (risos)
Em toda a minha vida estudantil eu gostei das aulas de português e redação. Literatura nem tanto, estudar os estilos de época e ler aqueles clássicos era bem chato. Mas eu adorava escrever. Sempre fui bem nas redações e dissertações, exploradas massivamente pelos professores de ensino médio, nos preparando para o temido vestibular. Professor de cursinho então... Mas eu amava ler os livros que cairiam no vestibular e esmiuçá-los, e fazer mil questões sobre eles, seus autores, no contexto histórico de cada um e relacionando um livro com o outro. Eu até me apaixonava pelos professores de literatura (que quando eu investigava quase desmaiava ao ouvir que eram gays! Um até se tornou trans pouco tempo depois! - Risos!). Foi assim que aprendi a amar dois livros que transformaram minha vida: Grande Sertão Veredas, do Rosa e Crônica da casa assassinada, de Lúcio Cardoso. Que saudade daquelas aulas intensas mergulhando nos personagens...
Eu sempre dei meu melhor. Nem sempre era um texto exemplar, mas sempre acima de 70% da nota. Eu usava o que aprendia nas aulas de português nas provas das outras disciplinas. Tanto que sempre gostei de prova aberta, o terror dos colegas. Eu adorava um "
" floreado que muitas vezes disfarçava que eu não dominava o assunto, só tinha uma noção.
O auge da minha escrita foi no vestibular da UFMG em 2010. Eu concorri com 200 pessoas e passei em 1º lugar. Sabe o que significa isso!? Eram duas etapas: a primeira com provas fechadas (de marcar X) de todas as disciplinas. A segunda só de questões abertas das disciplinas específicas da área. As minhas eram História, Geografia, Português e Redação. Eu praticamente tirei total na redação. Nunca vou esquecer a questão e a linha de raciocínio. Também me lembro de algumas questões de Geografia e História. Caprichei até na caligrafia. Sou uma pessoa muito antiga! Tive cadernos de caligrafia e os usava com afinco e dedicação. O resultado foi bom. Naquela prova, que era aberta de geografia, história, literatura e a redação, até os finais das respostas eram perto do final da última linha de espaço disponível. Tive o maior cuidado. Tenho certeza de que aquele capricho me deu pontos a favor. Usei tudo o que aprendi naquela ocasião e super valeu a pena. (Eu deveria ter corrido atrás da cópia da minha prova para guardar. Penso até em refazer a prova, pois adorei as questões e lembro da linha de raciocínio.)
Depois ao longo da vida acadêmica saber escrever bem sempre foi útil. (Continua...)
Um cantinho virtual onde posso registrar e compartilhar minhas memórias, crônicas, declarações de amor e o que mais o coração pedir. Meu compromisso é apenas com meus sentimentos, não com leitores, com instituições, cronologia, nada. Escrever é a minha forma de me expressar e organizar as ideias. Como tenho três filhos pequenos falta tempo e silêncio para escrever. Logo, todos os textos estão em fase de edição constante.
2019-05 Depressão
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