terça-feira, 10 de setembro de 2019

2019-09 Puerpério

Durante o puerpério nós mulheres experimentamos sensações, pensamentos e uma forma de sentir o mundo bem diferente que em qualquer outra época da vida. É profundo, é melancólico e solitário. Por mais que estejamos rodeadas de gente, recebendo apoio emocional, físico e nas questões práticas, a gente se sente sozinha e meio perdida. Eu enxergo como sendo a transição da mulher que morreu no parto para a nova mulher que será mais na frente, mãe. É uma quarentena natural. Não é à toa que os antigos dão tanta importância ao período de resguardo.

Eu acredito que essa fase dura um ano. Tive três filhos e foram três puerpérios vividos intensamente até cada um completar um ano e começar a andar, falar e se desgrudar de mim.

Para quem quiser pesquisar o assunto, vai encontrar tanto na literatura acadêmica quanto em revistas, blogs, sites e outros veículos muitas informações sobre o tema. É praticamente inesgotável esse assunto. Mas eu, Júnia, posso pontuar alguns aspectos relevantes dessa fase desafiadora. São eles:

1- Dimensão tempo
A maneira de sentir e se relacionar com o tempo muda. Uma noite parece uma eternidade. Ao mesmo tempo que cada ano passa num piscar de olhos. Aguardar vinte minutos para um remédio fazer efeito, acompanhar o filho descobrindo as coisas ao redor, trocar olhares com ele, tomar um banho de cinco minutos, ter cinco minutos para conversar com alguém ao telefone, enfim, tudo que envolve tempo pode ser bem diferente nessa fase.

2- Dimensão espaço/escala
As paredes do nosso lar, o quintal, a nossa rua, a distância de um quarteirão... As dimensões mudam! Perto e longe se tornam relativos. Grande e pequeno também. Por exemplo, um inseto pode parecer um monstro gigante.

3- Dimensão corpo
O espaço físico do próprio corpo se torna diferente, pois ficamos por meses com um outro ser acoplado, seja ligado pelo peito ou apenas grudado durante dia e noite. Durante os primeiros anos da maternidade perdemos espaço na cama, no sofá, na casa, no carro, em tudo. As necessidades fisiológicas ficam em segundo plano, ter paz para ir ao banheiro fazer o número 2 ou tomar um banho relaxante se torna missão impossível. Foi com filho pequeno que aprendi a comer comida fria, a dormir com fome, a escovar os dentes menos vezes, a nem lembrar de pentear o cabelo...

4- Dores constantes
A dor do parto é fichinha perto das dores do puerpério, pois uma se sobrepõe à outra: o sono constante causa dor de cabeça, as madrugadas movimentadas nos faz deitar com o corpo torto, o que nos causa dores nas costas. Ficar sentado causa formigamento nas pernas. Dores dos seios por causa da amamentação é um capítulo à parte, que inclui febre, sede, dor na pegada, dor quando a criança quer mamar, dor se usar sutiã, dor se não usar sutiã. Dor pra fazer o número dois. Cólicas e dor enquanto o útero contrai, principalmente enquanto o bebê está mamando. A gente se acostuma a sentir dor o tempo todo. Misercórdia!

5- Reflexão família / colo da própria mãe
A gente começa a se perguntar:
Será que dei esse trabalho para minha mãe?
Será que ela recebeu apoio?
Será que eu era uma criança chata?
Será que eu era bonitinha assim?
Como minha mãe dava conta de seis ao mesmo tempo?
As perguntas se tornam infinitas. E a gente aprende a ter compaixão, respeito e admiração pelas nossas ancestrais.

6- Cobrança interna / Busca de perfeição / Dar o melhor
As cobranças internas são muitas. A gente se cobra, se pressiona, se propõe metas, não alcança todas, se culpa, chora e sofre. A tentativa de fazer o melhor, de dar conta, de deixar tudo confortável para quem está ao nosso redor, de servir, etc. Tudo isso leva mais à exaustão e frustração. Por mais que alguma mulher tenha uma boa rede de apoio e possa relaxar, ela sempre vai se cobrar.

7- Cobrança externa
Os palpites vêm de todos os lados, a grande maioria desnecessário. As pessoas criam expectativas e cobram, mesmo sem ter sido convidadas. Depois a gente aprende a ignorar, mas durante essa fase em que estamos mais sensíveis, tudo parece que dói mais, junto com a insegurança, o medo de não fazer as coisas certas. No início é bem difícil.

8- Medo
O medo nos acompanha desde o resultado positivo do teste de gravidez. Até as pessoas mais otimistas sentem um frio na barriga. Desde medos comuns, como de o filho cair, até medos mais complexos, tipo se ficar doente, ou se teremos condições de dar-lhe o sustento, a segurança e a presença necessária ao longo da vida. Fora o medo que vem de alguma situação imprevista, um pequeno acidente, ou uma situação de violência, ou qualquer imprevisto. Minha filha teve um sufocamento no quarto dia de vida. Fiquei com as pernas bambas por três dias. Durante meses a mantive bem pertinho do meu ouvido 24 horas por dia, onde eu acompanhava sua respiração. Foram noites e noites revezando com o marido a vigília ao sono dela. Nunca tinha sentido tanto medo. Acho que nem sabia o que era medo de verdade antes.

9- Exaustão sono
A sensação é de ser um zumbi. É como se a gente ficasse em "stand by", nem completamente desligado nem completamente ligado. É não querer sair de casa para estar próximo da cama e em qualquer tempinho/ oportunidade a gente poder deitar e tirar um cochilo. É forte, é tenso, é indescritível. *Ao final deste texto segue um outro texto falando sobre a privação de dormir que poderá explicar o que quero dizer.

10- Solidão
Agora eu entendo a frase: "Só entende quem passou por isso". Sobretudo durante as madrugadas, quando o resto do mundo silencia e você está ali, a postos, a servir seu pequeno ser. A sensação de que os volumes externos diminuíram o seu aumentou, parece que seus pensamentos dão eco. Durante o dia tem movimentação, gente pra lá e pra cá, e você meio zumbi, estando "em outra frequência".

11- Cadê eu?
É doação, é entrega, é anulação de si mesmo, de suas próprias vontades ou necessidades. Fora a invisibilidade. O centro das atenções é a criança. Ninguém se importa muito como você está realmente. Socialmente eu parecia não existir. Só depois do meu primogênito completar cinco anos e eu voltar a trabalhar que passei a ser reconhecida na comunidade como um indivíduo.

12- Necessidade de lazer e convivência
Eu sempre fui perfeccionista, e sempre gostei de só relaxar depois das missões cumpridas. Aprendi desde cedo "primeiro o lazer, depois a diversão". Durante o puerpério tudo fica meio confuso, o serviço de casa e dos cuidados com o filho é infinito. A energia é que inversamente proporcional, pois nós mães estamos sempre exaustas fazendo o melhor que dá, sendo esse melhor um "mais ou menos" aos olhos alheios. Aí vem a necessidade de socializar, de ver gente, de bater um papo despretensioso, de fazer algo por prazer, sem pressa e sem cobrança. Eu admiro muito as mães que conseguem ter vida social e se divertir. Até hoje desde que meu primeiro filho nasceu eu acho que não consegui. Estou sempre com eles comigo, estou sempre em estado de alerta, estou sempre dando prioridade para eles. Sinto tanta saudade de sair pra dançar, de pedalar, de curtir um momento com os amigos... Às vezes tenho a impressão de que a verdadeira eu morreu mesmo.

13- Hoponopono
Para treinar bem a frase "Aceita que dói menos", fico mentalizando como mantras as seguintes frases:
Eu te amo. Eu sou grato. Me perdoa. Eu sinto muito.
E mergulho no sentimento que cada frase dessa traz, entro na vibração e a direciono para quem precisa. É forte...

14- Ausência da menstruação e a sensação de estar descompassada/ desregulada
Eu já até escrevi alguns textos só sobre minha menstruação. Já passei por várias fases. Mas o fato de ter ficado praticamente cinco anos sem menstruar me fez reaprender a me relacionar com meu próprio ciclo. Senti muita falta, o fato de estar imprevisível era aflitivo. Senti mal estar, tristeza, raiva, na verdade é como se durante todo esse tempo eu estivesse de TPM, só esperando a bendita chegar pra dar aquela sensação de limpeza e alívio. Foi uma parte da experiência materna que não gostei.

Imagino que  mães ao lerem meu relato se identificarão em vários pontos. Em algumas palestras / encontros de mulheres onde listei os itens acima, as mulheres ficaram impressionadas como eu consegui verbalizar o que elas sentem, mas não conseguem explicar. Eu sou profunda e gosto de descrever as coisas e sentimentos, de dialogar e de ouvir. As grávidas de primeira viagem podem ficar assustadas, mas com o passar dos meses concordam com tudo e me agradecem por eu ter alertado. Os homens e pessoas duronas acham que é exagero meu. Mas os sensíveis e experientes compreendem e respeitam. Eu ultimamente tento não julgar muito, pois cada um lida com seus sentimentos e condições de um jeito. Para mim foi assim. Se eu puder ajudar a ser mais leve para alguém ficarei feliz. Boa sorte para todos em seus processos mentais/ emocionais/ psicológicos.

*Texto anexo sobre privação de dormir, ou excesso de sono:

Seis danos que apenas uma noite mal dormida já traz ao cérebro

Dormir menos do que o necessário em uma noite afeta concentração e sistema imunológico

Escrito por Nathalie Ayres - Em 10/12/2018

Os malefícios de dormir mal são muitos. A privação de sono crônica pode aumentar os riscos de você ter uma hipertensão, AVC, diabetes, depressão ou mesmo engordar. Mas quantas horas de sono, afinal, cada pessoa precisa?

Isso, na verdade, é muito relativo: para alguns pode ser seis horas, para outros dez. "A média na população seria de sete horas e meia de sono ao dia, mas o ideal seria acordarmos com a sensação de que dormimos o suficiente, ou seja, descansados", explica a otorrinolaringologista e médica especialista em sono, Angela Beatriz Lana.

O problema é que apenas uma noite mal dormida já pode ocasionar uma série de problemas e, de acordo, com a especialista, um terço da população está dormindo 2 a 3 horas a menos do que precisa.

1 - Aumenta a chance de acidentes

Pode parecer óbvio, mas sabia que com apenas um pouco de redução do sono já aumentam os problemas com concentração? Aí seu problema no trânsito não será apenas o sono...

"Com apenas uma hora a menos de sono já é possível sentir efeitos do cansaço no dia seguinte e dificuldades de concentração: erros pequenos no trabalho, esquecimento de palavras ou tarefas, desconcentração no trânsito...", enumera a otorrinolaringologista e médica especialista em sono, Angela Beatriz Lana. Portanto, vale separar uma horinha mais para passar entre os travesseiros!

2 - Detona o sistema imunológico

O sistema de defesa do nosso corpo está intimamente ligado ao ciclo do sono e, mesmo tendo ele ruim por uma noite, já é possível sentir as consequências. "Muitos estudos têm mostrado que a privação de sono mesmo que por um dia faz nossas células de defesa (células T) e natural killers (NK) caírem", considera Angela.

As relações do sono com a imunidade ainda vão além: "alguns trabalhos mostram, por exemplo, que quem está privado de sono produz menos anticorpos ao tomar uma vacina do que quem dormiu bem", expõe o médico do sono Geraldo Lorenzi Filho, coordenador da Residência Médica em Medicina do Sono do Incor e do Laboratório do Sono do Hospital Santa Cruz.

3 - Aumenta os problemas de memória

Há algum tempo os médicos já sabem que é durante a noite que nós fixamos a memória: as lembranças do dia se fixam nesse momento. Por isso mesmo, com uma noite mal-dormida, já é possível sentir diferenças.

"A fase das ondas lentas (em que dormimos sem pensamentos) e o sono REM são fundamentais para essa assimilação, e ambas só são atingidas quando chegamos ao sono mais profundo, o que se reduz quando dormimos pouco", explica Lorenzi.

4 - Descontrola o apetite

Nosso organismo se organiza nos ciclos circadianos (palavra latina que significa "cerca de um dia"), ou seja, os hormônios são todos regulados para estarem em diferentes quantidades durante as 24 horas do dia. Se dormirmos pouco, há uma alteração nessa ordem toda, inclusive na grelina e leptina, os hormônios relacionados à saciedade.

"De acordo com pesquisas, as pessoas que dormem poucas horas de sono (menos de seis horas) têm índice de massa corporal (IMC) maior do que aqueles que dormem entre 7 a 8 horas", considera Angela Lana.

Normalmente, os efeitos maiores da obesidade são percebidos após longos períodos de dormir, mas mesmo após uma noite com menos horas de sono já é possível perceber algumas alterações no apetite, como uma maior vontade de consumir açúcar, como aponta Lorenzi.

5 - Prejudica a aparência

Alguns estudos têm mostrado que pessoas que dormem menos são consideradas menos atraentes. E a culpa não é somente das olheiras... Há também o fator hormonal.

"Pouco sono ou sono de má-qualidade esta relacionado a uma redução na produção do hormônio de crescimento GH, que é fundamental para a renovação celular, prevenindo o envelhecimento precoce da pele e o acúmulo de tecido adiposo", considera a especialista em sono Angela.

Além disso, a liberação de cortisol, devido à redução de tempo dormindo, ocasiona uma deterioração mais rápida do colágeno. Portanto, a história do sono de beleza realmente está valendo.

6 - Deixa você mais emocional

Pode parecer estranho, mas o sono ativa mais áreas emocionais no nosso cérebro.

"Uma pesquisa publicada junho de 2013 mostrou a hiperativação do sistema límbico, de áreas cerebrais relacionadas ao estresse e ansiedade em pessoas privadas de sono. Isso significa menos controle emocional quando se dorme pouco", explica Angela Lana.

Na prática, isso significa mais ataques de raiva e tristeza no dia a dia, mesmo após apenas uma noite pouco dormida. "Essa pessoa será mais instável, explodindo a qualquer momento", traduz Lorenzi.

2019-09 Ofereço meu dom

Histórias, sentimentos e declarações.

Todo mundo tem essas três coisas.

Mas às vezes ficamos ocupados com os afazeres do dia a dia e deixamos de expressar. Sejam emoções pessoais, seja o prazer de contar uma história engraçada, ou mesmo triste, ou declarar para uma pessoa gratidão ou admiração. Muitas pessoas são tímidas, outras simplesmente têm dificuldade de verbalizar. Outras até verbalizam oralmente, mas as palavras se perdem no espaço e no tempo. Por isso é importante registrar. Escrever, gravar um vídeo, ou áudio, fotografar, sei lá, existem muitas possibilidades que a tecnologia oferece. Mas quem tem tempo, disposição, criatividade, privacidade e recursos físicos e intelectuais para registrar suas histórias?

Eu, Júnia Patrícia, estou sentindo um chamado para desenvolver meu dom e ajudar as pessoas. Ainda não tenho nada muito definido na minha cabeça, mas estou pensando numa forma de começar. Meu dom é expressar, é comunicar. A forma preferida é por escrito (e a segunda é "oral completa". Acabei de inventar esse termo "oral completa" que significa falar, mas expressar com o corpo todo, com o olhar, gestos, mudanças no tom de voz, enfiim, aquela coisa de ator contando histórias.)

Quero oferecer às pessoas o meu serviço de "escrevedora". Vou dar uns exemplos para ajudar a entender.

2019-09 Dignidade e vida financeira

Certa vez um conhecido disse: "Nunca deixe ninguém tirar a sua dignidade." Essa frase ecoou na minha cabeça durante anos. Em alguns momentos ela pisca como um letreiro luminoso me colocando em estado de alerta. Como agora.

Virei mãe. Pacote completo. Da noite para o dia me tornei dependente de homem, dentre outros aspectos, o financeiro. Ok. Tudo bem. Existe um acordo: ele trabalha fora e provê o sustento enquanto eu cuido das crias. O custo mensal de manutenção do lar e das nossas principais necessidades é suprido por ele com boa vontade, é resultado de trabalho duro. De vez em quando há uma folga então a gente conversa e escolhe o que fazer, geralmente o destino da grana é uma viagem para visitar a família. No dia a dia, se é possível, nos damos pequenos luxos como sair para comer fora, ou um presente, ou um passeio. Ok. Se acontece, ótimo. Se fica um tempo sem acontecer, tudo bem.

Mas há coisas que são importantes para mim, que passam longe da lista de prioridades do lar ou necessidade ligada às crianças. Pode ser que eu ceda, que eu espere um momento mais oportuno ou pode ser uma urgência para mim. E aí?

Geralmente eu, que no momento não recebo remuneração, uso a criatividade para conseguir o que eu preciso mexendo o mínimo possível com o orçamento da casa. Peço presentes aos amigos (com muito respeito, explicando a situação e a necessidade), pode ser que eu faça uma vaquinha, uma rifa, uma venda de algo meu, uma troca, ou mesmo compre em suaves prestações. Se é muito importante, tento conseguir o que quero sem causar prejuízo ao marido. Normalmente dá certo.

Espero, deixo para o momento mais oportuno, só pago pelo produto ou serviço que preciso dentro de condições favoráveis. Respeito o trabalho/dinheiro de quem está fazendo o investimento. Ok. Tento ao máximo controlar meus impulsos e espero. Na medida do possível compro o objeto mais barato, usado, pesquiso, etc… Faço de tudo para realizar consumo consciente.

2019-09 Mais amor e menos julgamento

Uma amiga me disse ontem: "Aguente e siga em frente, afinal, você escolheu o que está vivendo." Entendi o ponto de vista dela. Mas ela não sabe a história. Sabe apenas a vida que eu tinha antes e a vida que tenho agora. Superficialmente. Não sabe dos desafios, dos esforços, das dores, dos sentimentos, dos processos, dos medos, da solidão e falta de controle.

Não é simples. Interessante como as pessoas são capazes de julgar cheios de suas verdades e visões de mundo próprias. Empatia zero.

Eu não escolhi racionalmente ser mãe, nem de um, nem de dois, menos ainda de três. Eu estava fazendo amor com meu esposo acreditando que meu corpo não estava funcionando normal. Na primeira vez engravidei depois de ter passado um tempo tomando anticoncepcional, estava me organizando para escolher um novo método contraceptivo, já que pílula me fazia mal. Eu estava morando junto de Víni há apenas um mês. Aquele clima de romance, o "enfim sós" e o auge dos 31 anos, bombando de saúde, tudo favoreceu para uma gravidez. Ainda confusa com os processos de decisão, de mudança de vida, não dei atenção suficiente para evitar a gravidez. Mas também acredito muito na espiritualidade. Eu pedi a Deus um sinal se era pra eu casar mesmo com Víni ou seguir mais ou menos no caminho dos estudos que já estava em Minas. O sinal veio positivo. Mais claro impossível. É claro que no auge da paixão que estávamos vivendo desejamos ter um filho e formar uma família. O desejo foi jogado para o Universo. Haviam outras coisas importantes envolvidas… Era a hora. A gente pensa ter controle sobre o corpo e a vida, mas não tem.

Quando meu primeiro filho tinha um ano menstruei pela primeira vez desde a concepção. Coloquei o DIU. Usei por seis meses. Detestei. Incomodava. Sentia mais TPM, mais cólica, mais fluxo, mais tudo. Péssimo. Não aguentei e tirei. Depois fui passar uns meses longe do marido para estudar, quando nos encontrávamos usávamos camisinha.

Na segunda gravidez eu tinha acabado de chegar depois de três meses fora. Cheguei em casa menstruada. 14 dias depois, meu primeiro período fértil. Matando a saudade, namorando com gosto e felicidade, pimba! Tudo bem. Não pirei muito. Um segundo filho, ok, irmãozinho para Marcelo, a aceitação foi tranquila. Gravidez tranquila, parto tranquilo. Puerpério mais difícil com dois pra cuidar. Detalhe: nós morávamos numa fazenda no interior de Goiás, isolados. O marido saía para trabalhar apagando fogo de uma área de proteção natural, sem data e hora para voltar. Eu ficava sozinha com os dois filhos, naquele calor aterrorizante, olhando aquele céu apocalíptico que dava medo até em ateu, respirando o ar seco e cheio de fumaça, poeira de filme de caubói, com redemoinho desenfreado no pasto seco. Para completar era temporada de escorpiões. Fui picada dormindo com os meninos. Encontramos seis dentro de dois meses. Eu tinha pesadelos horríveis, vivia paranóica com medo que picassem os meninos. Enfim, um puerpério nada tranquilo.

Para melhorar nossa vida voltamos para nossa casa no Capão. A mudança foi extremamente cansativa. Arrumei as coisas e deixei num canto da casa. Viajamos os quatro no nosso carro. Mil quilômetros até BH, onde fomos passar o último natal com o meu sogro. Logo partimos para nossa casa no Capão. Mais mil quilômetros. Gente, é cansativo demais viajar isso tudo com duas crianças pequenas! Chegamos em casa, ufa! Graças a Deus. Nos instalamos. No dia não tinha água nem energia. Tomamos banho na casa da vizinha. Aos poucos organizamos a casa. No terceiro dia Víni me deixou sozinha e foi em Goiás buscar a mudança. Mais mil quilômetros pra ir e mil pra voltar, desta vez sozinho, dirigindo. Imaginem a exaustão. Alguns dias depois chegou o caminhão com as coisas. Nós exaustos com tanta coisa pra arrumar, com os dois meninos e suas demandas. Eu pirada. Dor no corpo. Irritada. Não era só cansaço. Não sabia, mas era TPM. Menstruei pela primeira vez desde a segunda concepção. Com o passar dos dias fui arrumando as coisas e devagar fomos entrando na rotina, felizes na nossa velha morada. Clima bom, casinha arrumada, meninos à vontade… Menstruei a segunda vez, ok. Algumas semanas depois, naquele romance, pensei que estava de TPM, com os sintomas característicos. Tive uma ovulação tardia. Meu corpo voltando ao normal, eu tentando reconhecer. Fui ao posto de saúde procurar atendimento para escolher um comprimido. Tarde demais. A sonhada menina nas outras vezes estava a caminho. Desesperei. Sabia das infinitas demandas que me aguardavam.

Fiz acompanhamento psicológico durante toda a gravidez para aceitar. Foi difícil. Eu que sempre julguei as mães "escadinha"... Trabalhei muito o emocional para encarar. A gravidez em si foi tranquila. O parto maravilhoso. Mas tivemos que construir um quarto a mais na casa, o que sugou tempo, energia e dinheiro no final da gestação. Logo depois veio o puerpério…

Detalhe: o segundo filho, então com um ano e meio, estava quase desmamando e desfraldando, quando a caçula nasceu, regrediu. Voltou a mamar no meu peito com tudo. No início ótimo, aliviou pra mim. Mas eram muitas demandas. Dar conta dos três, amamentando dois em livre demanda foi exaustivo física e psicologicamente. A privação do sono noturno, a impossibilidade de repor durante o dia, pois raramente os três dormiam ao mesmo tempo. Eu virei um zumbi. Fora as cobranças internas (mil!), as externas. Pessoas próximas sem empatia lembrando toda hora que a culpa era minha por ter descuidado no sexo e engravidado em intervalos tão curtos de tempo. Morei na lata de lixo emocional, de onde acho que nem consegui sair ainda.

Com seis meses dei a louca. Saí por uma semana com a bebê e deixei os dois meninos com o pai. Fui ver a minha família e amigos, eu precisava receber doses cavalares de amor. A meta número um era desmamar o do meio. O peito levou uns dias para regular a nova demanda. Um peito ficou do tamanho de uma bola de futebol. O outro minúsculo. Dor, lágrimas, febre, ordenha... Dei leite pro gato da amiga anfitriã. Doei leite pro banco da maternidade. Dei leite até para morador de rua (que tomou de golada, deu até gosto de ver! Rsrs). Eu estava desesperada. Comprei remédio para parar de produzir leite. Mas não tive coragem de desmamar a pequena com apenas seis meses. Deixei para ver como seria o reencontro com Hugo.

A missão desmame foi cumprida com sucesso. Nos primeiros dias ele pediu e chorou. (Eu cheguei de viagem e tive uma virose, fiquei de cama por três dias. Na verdade acho que era o corpo regulando após o enorme desgaste físico e emocional.) Eu disse ao Hugo que a mamãe estava dodói, que ele já estava completando dois anos e não precisava mamar mais. Foi um processo. Mas funcionou. Fiquei bem mais aliviada com a demanda menor. Graças a Deus. Assim vai dar pra levar até Catarina completar um ano. Eu completarei 5 anos de amamentação ininterrupta e em livre demanda. Será o fim de uma jornada intensa de entrega, de não domínio do meu corpo, meu tempo e meu espaço. O maior desafio que enfrentei na vida. Maior doação e maior amor. Acho que nem vou saber lidar quando estiver livre. Mas serão cenas dos próximos capítulos, como sabiamente disse o mestre: "Deixe que o amanhã traga suas próprias fudeções!".

O inverno foi puxado, com depressão, desmame, cabeça quente pelo orçamento apertado, três crianças cada uma com os desafios da sua fase (mais o fator frio e chuva, ou seja, todos dentro de casa, saindo pouco), o marido solicitando o retorno da "vida a dois", e eu em meio ao turbilhão tentando dar conta de tudo. Resultado: estafa.

O segundo semestre começou e graças a Deus o sol está voltando. Começamos a sair mais de casa. Eu determinei metas para sair da depressão. Comecei a sair mais, a ir no posto de saúde uma vez por semana para fazer acompanhamento psicológico, em breve vou começar outras terapias complementares. Tenho visitado amigas e recebido visitas.

Aos olhos de quem é de fora parece simples o deslocamento. Para mim é bastante complexo e desgastante. Não é fácil sair de casa com três crianças. Ainda não aprendi a dirigir. Da nossa casa até a Vila são dois quilômetros em estrada de terra, ou seja, lama ou poeira e muitos desníveis e buracos. Grande movimento de motos e médio de carros. Vou empurrando o carrinho com Catarina (8m), Hugo (2) e Marcelo (4) andando. O primogênito anda bem, mas Hugo cai algumas vezes, se distrai fácil, não sabe ainda se posicionar para se proteger dos veículos e sente sono e cansaço. Muitas vezes na volta coloco os dois menores no carrinho, que fica pesado e difícil de manobrar. Sair de casa é uma saga.

Não estou reclamando. São apenas fatos. Lido com eles e com meu racional que me joga na cara o tempo todo que eu poderia ter escolhido outro caminho. Eu queria ter opção de voltar atrás, de fazer diferente. Mas não tenho. Preciso encarar a realidade presente, honrar com os compromissos, dando o meu melhor e permanecendo sã e inteira. A boa notícia é que passa. Os meninos crescem e tudo só tende a melhorar. Acredito que em alguns poucos anos vou poder voltar a estudar, trabalhar e ter uma vida com as dinâmicas que gosto.

2019-08 Gosto de dia útil

Eu gosto de segunda-feira. Amo. Gosto de dia útil. Acho ótimo poder resolver as coisas sem ter que esperar alguns dias. Gosto da energia dos meses pós festas ou férias, aquele gás, planos, momento de produzir, de fazer acontecer antes que chegue o próximo feriado.

Por isso gosto do mês de agosto. É o início do segundo semestre. Segunda chance para fazer o que não foi feito no primeiro, antes que o ano acabe. Adoro metas individuais, de casal, de família, de estudo e de trabalho. Gosto de prazos para não relaxarmos nem perdermos o foco.

Em julho tive que dar um break, sair do olho do furacão para conseguir ver a situação. Eu estava estafada, nem raciocinava direito. A meta principal da fugida era desmamar o Hugo (2). Graças a Deus, como alguns problemas, consegui. Foi ótimo. Alívio imediato. Voltei, fiquei doente, tive que sarar na tora para encarar a alta temporada de trabalho do marido, ou seja, ficar sozinha com as bencinhas e suas demandas infinitas. Mas aí entrou agosto e aos poucos fomos entrando numa rotina saudável e estou conseguindo manter a engrenagem do lar nos eixos.

Infelizmente ainda não consegui manter uma rotina de exercícios físicos, nem vida social, nem virtual. Devagar vou me organizando. Uma conquista de cada vez.

Então peço desculpas aos amigos a quem devo respostas de mensagens. A meta para a primeira quinzena de setembro é responder um por dia. Mas já com a consciência de que com três bencinhas tem dia que é sem chance de pegar no celular (com foco, silêncio e privacidade). Mães possuem metas, mas já com flexibilidade. Rsrsrs E merecem todos os perdões caso falhem.

2019-08 Amamentação

Agosto, mês da amamentação.

Putz, nem sei por onde começar.

A história é longa.

Começou há 4 anos e meio.

Ininterruptamente!

Livre demanda.

Três filhos.

O primogênito até 2 anos e meio.

O segundo até 2 anos.

Amamentei 2 ao mesmo tempo por 6 meses.

Os primeiros 6 meses do primogênito foram muito pesados para mim. Os "canudinhos" eram apertados. O bebê tinha que fazer muita força para sugar leite suficiente. Ele chorava de fome e impaciência. A mãe chorava de dor. O menino golfava sangue e pus. Durante os 2 primeiros meses dei fórmula após cada mamada. Depois ele passou a vomitar a fórmula. Até que desisti e dei o peito na tora, sem evitar. O melhor remédio era dar muito para arregaçar os "canudinhos" de uma vez.

Dor, altos perrengues, febres e lágrimas.

Um peito gigante e outro minúsculo.

Quentes. Veiudos. Estrias. Caídos.

Tiveram dias bons. Tiveram dias ruins.

Teve a parte linda e romântica.

Teve a parte real, intensa, triste e profunda.

Exaustão. Muita exaustão.

Estou com o remédio que faz parar de produzir leite em cima da cômoda. Todo dia trocamos olhares.

A caçula está com 7 meses. Estamos na introdução alimentar. Processo lento.

Até hoje ligo pras minhas doulas virem me salvar. E toma-lhe compressa fervendo, massagem, ordenha e compressa gelada. Mais o desabafo durante todo o processo para aliviar o emocional.

(Até os estagiários do posto de saúde estão enjoados de ver meus peitos! Rsrsrs)

Mas está decidido: quando ela completar 1 ano vou me libertar. Estarei completando 5 anos de dedicação total.

Estou no meu processo.

Também não posso da noite para o dia cortar o que foi tão importante para nossa família.

Não sei lidar exatamente. Mas não posso ser cruel e desmerecer algo tão forte.

Meu leite sou eu. Não posso jogar no ralo.

Meu leite é ouro. Meus filhos têm saúde ouro.

Sou orgulhosa de mim. Dei o meu melhor, enfrentei altas dificuldades e venci.

Mesmo com as más línguas...

Sou foda.

Não sei o que me espera quando eu encerrar esse ciclo. Espero que seja bom. E que eu volte a dormir e descansar.

Super agradeço ao meu companheiro Vinício pela participação em todas as etapas. Principalmente por mamar toda vez que foi necessário, como último recurso. Serei eternamente grata, de coração, em todos os sentidos. Te amo e amo nossos frutos. <3

Essa foto foi tirada no dia 6 de julho de 2019, durante a última mamada simultânea de Hugo e Catarina.

Júnia Patrícia

Agosto 2019

2019-07 Pedido de perdão

Quero pedir perdão publicamente à todas as mulheres a quem deixei de ajudar quando pariram, ou engravidaram, ou criaram seus filhos com dificuldades, ou a quem dirigi palavras ou pensamentos críticos, cheios de julgamento. Sinto vergonha de ter me omitido, de ter sido egoísta ou simplesmente não ter me importado.

Posso direcionar este sentimento à minha própria mãe, irmãs, cunhadas, primas, vizinhas, amigas e até colegas. Sobretudo as mais novas. Minha mãe, por exemplo, aos 19 anos já tinha três filhos e estava separada, vivendo em precárias condições físicas, emocionais, intelectuais e de toda ordem. Ela era alvo das más línguas e estava sozinha, sem nenhum tipo de apoio. Depois só piorou, com a chegada de mais três filhos, cada um num contexto pior que o anterior. Caraca! Eu tenho três filhos perfeitos, moro em casa própria, tenho um príncipe como marido, moro num lugar tranquilo, seguro, em paz, cheio de natureza, tenho estudo e sou experiente na vida e piro! Fico exausta, sinto medos, ansiedades e mergulho em abismos mentais... Imagine ela beeem mais fudida que eu, com 19 anos e sem nenhuma perspectiva!?!?

Sinto vergonha de ter feito parte do time das tias que dizem: "Quando chora é só entregar pra mãe e tudo certo". Que vergonha! Eu deveria ter sido mais empática e amorosa. Eu deveria ter sido um ser humano melhor.

Agora Deus me trocou de lugar. Eu sou a excluída. A criticada por ter três filhos. Eu estou pagando língua e todos os pecados. Eu estou vestindo até o pé certas carapuças.

Perdoem-me! Eu fui burra, egoísta e má. Eu gostaria de voltar no tempo e fazer diferente. Eu deveria ter lhes acolhido com amor e respeito.

Engravidar, parir, puerperar, criar filho é muito mais complexo do que quem vê de fora e nunca passou pode imaginar. Ainda mais pra quem tem em "carreirinha".

Só sinto que ninguém tenha me explicado isso a tempo. Estou aprendendo na dor. (Queria que tivesse sido no amor.) Mas nunca é tarde para aprender e ser um ser humano melhor.

De agora em diante contem comigo. Se não for em ajudas práticas (pela distância e pelo tanto que sou ocupada criando meus três), será com respeito, consideração e amor. Também podem contar com meu apoio à distância com ajuda das tecnologias. Ofereço dicas, trocas de experiências, apoio emocional, carinho ou apenas ouvidos. Também ofereço silêncio consciente, baseado na minha própria reflexão do quanto eu falhei com cada uma, acompanhado de orações com pedidos de perdão e boas vibrações.

Aceito. Entrego. Confio e agradeço.

Sinto muito. Me perdoe. Eu te amo. Sou grata.

(Obs.: foto copiada da internet. Não sou eu.)

2019-06 Minha menstruação

Minha lua

Eu odiava menstruar. Sempre me senti aleijada, doente, inválida por alguns dias entre dores, hormônios, mau humor, tpm que gera pensamentos suicidas, etc. Na verdade eu odiava ser mulher. Eram tantas limitações sociais...

Agora, 5 anos depois da minha mais recente menstruação normal, sinto falta. Desde que engravidei do meu primeiro filho praticamente não menstruei normal mais. Quando ele completou um ano eu coloquei a porcaria do DIU, que me fez super mal. Assim que tirei, quando estava me organizando pra começar a usar outro método contraceptivo, pimba, engravidei de novo. E adivinhem... A história se repetiu e quando o segundo filho tinha sete meses eu queria matar meio mundo. Eu pensando que era apenas uma TPM do cão, eu estava era ovulando! Eu devia ter desconfiado daquela vontade bonita de namorar. Lá fui eu de novo... Eis-me aqui, com a caçula com 6 meses e nada de sanguinho mensal. Estranho que sinto cólicas e todos os sintomas de TPM todo dia. Tomei anticoncepcional até uns dias atrás. Mas como me fez super mal, parei. Estou na expectativa do corpo voltar ao normal. Nas raras vezes em que namoro, usamos camisinha (até o marido fazer a vasectomia- em breve).

São 4 anos e meio em pleno puerpério. Eu quero sair logo disso. Quero ficar em estado normal. Uns dias de sangue e dores todo mês vão ser fichinha perto de toda a carga desse período. Estou tão esgotada...

Vamos fazer as pases, minha lua!? Nunca mais vou reclamar de você!

Júnia Patrícia.
Junho 2019.

2019-06 Mãe e dona de casa

Eu sou a mãe atarefada, que cozinha um belo almoço mineiro quase todo dia. Leia-se almoço feito com atenção em cada detalhe, temperos frescos, alho socado no pilão na hora, arroz feito em duas etapas (4 águas), o maior cuidado com textura, sabor, cores, aparência e cheiro. Muito alho e muita cebola. Claro que não pode faltar um cheiro verde. Dizem que "minha comida" parece comida de vó ou mãe. Fico super lisonjeada quando ouço: "Que delícia! Está igual ao da minha mãe."

Enquanto só tinha um filho eu punha a mesa todo dia, com jogo americano, talheres e pratos duralex rosê impecavelmente no lugar, uma fileira de panelas no centro, lindas e brilhantes, fumegando de quentes, exalando os cheiros e fazendo as bocas presentes se encharem d'água. Colocava até arranjo de flores frescas. Com direito a suco natural e às vezes sobremesa. Agora!? Como na mesinha na área de serviço junto com eles na maior bagunça. Em pratos de plástico e com um pano de limpeza junto. Mas é a fase. Depois voltarei à pompa e circunstância! (Sou dessas que não dispensa o glamour!)

Claro que não sou boba, tenho minhas estratégias pra facilitar, simplificar e ser mais rápido. Congelo, divido, faço panelão que dá pro dia seguinte, adianto, faço farofa com restinhos, preparo salada que dura, preparo uma coisa no almoço que vira outra na janta, compro legumes e hortaliças picadas, etc...

Só me dou folga em domingos e em dias festivos, ou quando optamos por um passeio. Nesses dias o pai assume a cozinha, ou comemos fora, ou esquentamos o que tem pronto.

Meu maior desafio é cozinhar com três crianças ao meu redor, gritando, pulando, brigando, chorando, falando, etc. A mais difícil é a bebê que quer ficar no colo e colocar a mão em tudo. Se fica no bebê conforto ou carrinho se remexe até cair. Fora o choro... Atualmente os dois mais novos sentem sono bem durante o preparo do almoço. Então desligo tudo e vou dar peito até que adormeçam pra eu conseguir terminar.

Não cozinho porque amo cozinhar. Cozinho porque somos uma família e temos necessidade humana de alimentação. Como em tudo o que encaro fazer dou o meu melhor, faço com amor e capricho. Três refeições por dia, mais frutas e sucos naturais nos intervalos. Café da manhã com sustança pra começarmos bem o dia. Almoço com arroz, feijão (todo dia!), salada, um legume cozido e uma carne. O lanche do final da tarde é mais simples pra sujar menos louça e bagunçar menos a cozinha. O jantar é um mexido simples, só esquento alguns restinhos do almoço misturados. Não fico de Isaura depois de escurecer.

Não cozinho porque amo cozinhar. Gosto, mas queria que fosse só de vez em quando. Meu sonho era estar brincando no quintal com as crianças e alguém gritar na janela: "O de comer tá pronto!"

A rotina de ser mãe e dona de casa ao mesmo tempo mata. (E ao mesmo tempo dá vida. Afinal, não tenho direito de adoecer, de curtir uma "bad" de boa, ou curtir preguiça num dia frio.) É uma engrenagem que não pode parar. Ser mãe é bom. Ser dona de casa é bom. O que mata é ser as duas coisas ao mesmo tempo! Cada uma dessas duas funções contempla várias outras funções. É exaustivo. É dinâmico. É complexo. Geralmente homem não tem a mínima capacidade de ser pai e dono de casa. Gerir as demandas, o planejamento, as contas, as compras, a despensa, os horários, a roupa suja/ lavando/ passando/ no varal/ dobrando/ guardando, as atividades escolares, as datas, as reuniões, as festas na escola, os conflitos da vida social dos filhos, etc e mais mil etcéteras...

Cada uma das fases de preparar almoço é um desafio: planejar, comprar, preparar, dar almoço para as crianças, arrumar a cozinha depois... (se sobrar tempo almoçar também! Rsrsrs) E ainda deixar tudo engatilhado para o próximo almoço.

Falar "concês"... Não é mole!

Confesso que quero ficar rica pra ter vários funcionários. Mas enquanto não tenho, fico aqui exausta e surtada entre as mil demandas de casa e filhos. Eu queria trabalhar fora pra descansar no serviço! Rsrsrs

Dedico mesmo. Mas claro que deixo a desejar em outros setores. Casa e meninos são prioridade. Mas vida social, lazer, passeios na rua, atividade física, namoro, atividades religiosas, encontros com amigos ou familiares: tudo praticamente zero. A vida é composta de escolhas... Claro que isso faz mal, que estou adoecendo. A exaustão é real e fiel companheira. Também, não era pra menos: 4 anos e meio amamentando sem parar, eterno puerpério, três partos normais em 4 anos. Esse tempo todo sem dormir NENHUMA NOITE INTEIRA. Fazem ideia do quê significa isso?!? Mas é só questão de tempo, já que preciso esperar a caçula completar 2 anos pra poder ficar na escolinha ou outra pessoa pra eu retomar a vida fora de casa.

Não estou reclamando. Até porque não adianta. Só estou dando a real. Fatos. Lido com eles. Encaro a nobre missão de criar esses meninos dando meu melhor. Mesmo que signifique morrer um pouco todo dia. Mesmo que signifique abrir mão de sonhos, planos, liberdade, mobilidade, autonomia e independência. Aos poucos acredito que vai melhorar. Quem sabe eles crescem e dividem as tarefas, de modo a ficar bem mais leve pra mim?

Quem sabe eu renasça como uma mulher leve, feliz e tranquila?

2019-04 Para deprimidos

Coleguinha, primeiro respire fundo. Eu já tive 13 crises de depressão. Não é fácil. Vou te dar umas dicas que funcionaram pra mim.

1- Se puder ter ajuda de um profissional psicólogo ou psiquiatra, ótimo. Sessões semanais. De preferência alguém com quem você se identifique, ou que se assemelha a alguém querido(a). Exemplo: uma coroa, que te passe a sensação de mãe, ou uma mulher jovem, a quem você sinta à vontade para falar de igual pra igual, ou um homem, que seria tipo um tio gente boa. Alguém que não te dê a impressão de que pode ser julgada.

2- Pense que você não tem ninguém pra te atrapalhar, pelo contrário. Então nada te impede de ir em busca do que precisa. (No momento estou com filhos pequenos e a dedicação é 100% a eles. Estou exausta, preciso de ajuda e de atividades físicas, mas não consigo fazer nada além da rotina puxada. )

3- O mais eficaz e imprescindível de tudo: caminhada ao ar livre. Isso libera hormônios de prazer e bem estar, "areja o cérebro" e dá uma sensação de paz e leveza. Afasta pensamentos ruins. Se tiver fé aproveite esse momento para rezar (abra seu coração pra Deus e peça pra ele te ajudar). Se puder outras atividades físicas, ótimo. Mas a caminhada diária é obrigatória.

4- Ouça músicas alegres, médias na intensidade (nem calma demais, nem pesada demais). Se possível cante ou dance junto. Pra mim funciona muito ouvir samba de raiz e forró pé de serra. As letras são alegres, o ritmo gostoso e ao movimentar o corpo os hormônios de prazer e bem estar bombam.

5- Faça amizade com alguém simples, alguém que tem tempo de conversar, alguém que não use celular. Tipo assim, uma pessoa que tem um trabalho manual e possa conversar enquanto trabalha. Exemplo: o jardineiro do seu prédio, a pessoa que faz a manutenção da praça mais próxima, o moço que vende bala no ponto de ônibus, alguma diarista que trabalha na casa de alguém da família, etc. Essas pessoas têm histórias incríveis, adoram contar, adoram receber atenção, adoram falar como o mundo era antigamente. Experimente assuntos leves, papos descontraídos. Não fale muito sobre você e seus problemas. A intenção é te relaxar, te fazer esquecer dos pensamentos martelantes. E quando você ouve histórias de quem já passou por dificuldades e superou, você se inspira e sente até vergonha de achar sua vida ruim. E assim pode nascer uma gostosa amizade, leve e agradável. (Nunca faça nada de mal a essas pessoas, trate-as com carinho, respeito e gratidão. Mesmo que já você já esteja bem.)

6- Procure um velho amigo por semana. Passe uma tarde junto. Cozinhem, comam, conversem. Façam algo junto (mesmo que seja uma faxina!). De preferência na casa da pessoa. Assim você muda de ambiente, vê/ouve/sente coisas novas. Puxe assunto sobre algo bom da casa do amigo (a), por exemplo, se tem plantas na casa, pergunte, elogie, converse com quem cuida. Ou puxe assunto sobre a comida, demonstre interesse e alegria. Por exemplo se perceber que o povo da casa é vegetariano... (Assim eu já fiz muita amizade com as mães dos amigos! Rsrsrs)

7- Estabeleça uma relação de amizade com um animal de estimação. Não precisa ser seu. Pode ser o cachorro do vizinho. Se ofereça para levá-lo para passear todo dia. Os animais causam um grande bem estar. São muitos ensinamentos e experiência de amor, confiança e alegria. Pode ser o papagaio da avó, o gato do namorado, qualquer um. Seja carinhosa, fiel e se doe.

8- Se doe em algum trabalho voluntário. Ajude alguém. Vá uma vez por semana em alguma creche, ou asilo, ou hospital, ou ONG. Ou grupo de pessoas que se juntam pra fazer uma coisa boa, tipo horta comunitária, reformas de praças ou campanhas de agasalho ou da sopa de madrugada para moradores de rua. Ajudar nos transborda de amor e realização pessoal. E ver que tem gente com necessidades mais urgentes que as nossas nos dá noção de realidade para valorizar o que temos.

9- Fique bem próxima de crianças da sua família. Leve na escola, dialogue, prepare um lanche com elas, comam juntos. Brinquem, rolem no chão, ensine-as a andar de bike. As crianças nos deixam mais perto de Deus e mais protegidos das maldades do mundo.

10- Faça tudo o que puder na natureza. Mexa com plantas, pise na grama, tome chuva, suba em árvores, coma fruta no pé e o mais importante: tome pelo menos uma hora de sol por dia. Faz bem pra tudo!

11- Se puder, viaje. Não viagens glamourosas, visite a vó no interior, passe um tempo lá, se possível arrume um trabalho onde estiver. Pode ser de atendente em uma mercearia. Se conecte com pessoas simples e vai se divertir e aprender muito.

12- Trabalhe. Arranje uma atividade que exija muito de você, principalmente algo braçal. Vai colher muitos benefícios, como bem estar físico e ainda vai ganhar uma grana. Pode ser faxineira, varredora de rua, vendedora de picolé na rua, vendedora de côco numa praia (esse era meu sonho! Rsrsrs). Mente vazia é oficina do diabo! Trabalhoterapia é os bicho! Rsrsrs

13- Exercite sua fé. Leia livros da sua religião. Se aceitar sugestões: leia livros espíritas kardecistas (e vai ver que suicídio é a maior roubada! Rsrsrs).

14- Não leve as coisas tão a sério. Leve a vida leve. Ligue um pouco o botão do fodas.

15- Não perca muito tempo com internet, tv e outras tecnologias. Tem um mundo real fascinante cheio de possibilidades.

16- Estude algo que seja do seu interesse. Participe de grupos reais.

17- Faça muito sexo com seu amor e tenha momentos lindos com ele.

18- Seja sempre grata. A tudo e a todos. Respeite e valorize tudo o que fazem por você.

19- Cuide do seu corpo, tome banhos relaxantes, massageie seus pés. Beba muita água. Se alimente bem (sem porcarias). Durma 8 horas por dia. Vista roupas confortáveis e de maneira que se sinta bonita.
20- Você não é o centro do mundo. Você é parte dele. Não seja egoísta. Não pense só em você.

21- Se proponha a um desafio, uma grande conquista, algo para investir tempo e dedicação e que tenha um valor no final. Exemplo: vestibular, ou um esporte (corrida ou pedalada é super legal), ou aprender a dirigir. Algo que te estimule a crescer.

22- A vida sem graça, sem propósito, sem prazer, sem expectativas, sem perspectivas e sem tesão não faz sentido. Faça sua vida ser interessante. E tenha um plano B. Tipo: "Se tudo der errado viro hippie." Não tenha medo de mudanças. Aceite mudar completamente de estilo de vida. Poderá viver grandes experiências. E se der errado tudo bem, só voltar atrás. Pra quem sabe olhar pra trás nenhuma rua é sem saída, já sabiamente disse Gabriel Pensador.

23- Se rolar de focar no amor a dois, pode investir nisso pra ser muito feliz e descobrir um novo mundo (bem maior que o seu atual): O mundo da maternidade. É a experiência mais rica e transformadora de todas. (Se quiser depois te conto a história mais bonita que conheço, que começou com uma amizade numa viagem, virou namoro, depois casamento e três filhos em apenas 4 anos! História verídica e inspiradora, cheia de aventuras, desafios e alegrias.)

24- Existem lugares, geralmente cidades do interior, onde há ampla oferta de terapias alternativas, como reiki, floral, thetahealing, hipnose, yoga, círculo de mulheres, ayuasca, aromaterapia, cromoterapia, cristais, etc, etc... Muitos são de graça, ou aceitam trocas, ou o valor é acessível. Aqui onde moro, no Vale do Capão (Chapada Diamantina) tem essas terapias até no posto de saúde. Dizem que aqui é um lugar de cura. Mas como este existem outros. Procure um com o qual você se identifica.

25- Acredite no poder de higiene mental, espiritual e biológico da água: tome uns banhos de mar ou cachoeira. O que estiver mais acessível. É pra lavar a alma! (Vai sair tão renovada que não vai nem lembrar que já esteve triste um dia.)

Boa sorte na sua busca. Se precisar de conversar, é só chamar.

2019-03 Trintar é uma belezinha

Bem vinda ao seleto grupo das mulheres alfa maduras, minha cara. É pra comemorar mesmo. Incluindo cada barriguinha, cada estria, ruguinha e fio de cabelo branco.

A euforia da década dos 20 aos 29 passou , aquela ânsia, aquela inquietude e curiosidade. Vai experimentar a partir de agora a famosa paz de espírito, uma certa leveza. Não é só o que a maternidade traz, é algo único da idade. São as fichas caindo, uma maneira mais madura de enxergar o mundo e de se relacionar com ele. Você não vai ter tanta gana de afrontas e necessidade de mostrar seu ponto de vista. Não vai dar muita importância às pequenas coisas. Mesmo as grandes entrarão em novas análises pra ver se merecem mesmo alguma dor por elas.

A partir de agora vai amar mais e melhor. Mais em intensidade e qualidade. Em menor quantidade de pessoas. Vai ter um círculo menor e bem mais sólido "dos seus". Vai ser mais feliz com menos coisas, dinheiros e viagens. Até os sonhos serão mais focados. Vai tomar gosto por fazer tudo bem feito, mesmo que demore. A superficialidade não vai te atender. Você só terá prazer no que é intenso e verdadeiro. (Faça um exercício de imaginação: pense nesses dois quesitos e aplique em todos os setores da sua vida. Vai ver como é real.)

Você, como uma mulher aquariana alfa, sempre à frente, já deu um grande passo ao entrar para os 30: talvez o mais transformador da sua vida, a maternidade. Só isso já te mergulha num mundo novo que te faz descobrir tantas faces de você mesma que nem imaginava que tinha... Aí junto com esta idade mágica te eleva a um patamar mais alto.

Quando entrei na casa dos trinta aconteceu uma avalanche de mudanças na minha vida. Coincidiu (?) com uma mudança de endereço para dois mil quilômetros da minha terra natal. Cultura, pessoas, hábitos, etc, tudo novo, diferente e atraente... Experimentei um ano sabático, no qual fui livre como nunca antes na história desse país, me esbaldei, dancei, estudei, namorei, praiei, etc e muitas etcéteras... A cabeça a mil... Eu nem conseguia mais escrever, era tudo tão mágico, fiquei com medo de me expor demais. Mas vivi. (E registrei em fotos e na cabeça. Um dia -quando meus frutinhos de amor crescerem- eu retomo a escrita e descrevo "as loucas aventuras de JP daquele ano". Vai dar um bom livro.)

Assim que completei 31 veio a grande transformação: a maternidade. Apenas um mês morando junto com o novo amor veio a surpresinha chave de ouro. Aí começou uma nova era. A parada ficou séria... Experimentei meus paraísos e infernos físicos, mentais e espirituais... Passei a entender a expressão "padecer no paraíso".

Desde os 30 morei um ano na Paraíba, um ano na Bahia, dois anos em Goiás. Umas rápidas passagens por BH (terrinha natal, uai!). Mais um ano na Bahia, onde ainda estou. Mas o coração pede pra eu ir morar na beira do mar daqui a alguns poucos anos... Mas são cenas para os próximos capítulos...

Daqui a quatro dia completarei 36 anos. Putz! Como uma vida pode dar tantas piruetas em tão pouco tempo!? Como pode deixar de ser uma e se tornar cinco em uma!? Tivemos três frutinhos de amor que estão a desfrutar de uma infância plena, livre, saudável, rica, segura e alegre em meio à natureza. Com total participação dois pais. Desde a concepção, a gestação o parto humanizado domiciliar, o puerpério e os primeiros anos de vida de cada filho... Tudo com muito respeito, cuidado, consciência e amor. Tudo isso em apenas seis anos!!!

Engraçado como apesar da simplicidade e da conta bancária igual semáforo, temos a sensação de sermos ricos!

Claro que cada fase traz consigo seus desafios, medos, anseios e todo um turbilhão de sentimentos e atitudes rápidas e tomadas de decisão mais rápidas ainda. O resultado é a tal maturidade, coragem, força, resignação e resiliência. E a paz de espírito, que é o que sentimos ao ver o melhor de nós: nossos filhos. Nos vemos nos olhares deles. Nosso troféu e prova de que estamos no caminho certo são ele próprios. Nosso maior legado para este mundo: pessoas que amam e pensam.

Bárbara, querida. Comemore e aproveite. É o início da melhor década da sua

2019-02 Para amiga

Oi, amiga.

Em primeiro lugar te agradeço pelo carinho e atenção. Na fase na qual me encontro receber atenção me tira das trevas mentais.

Você é uma pessoa especial. Vibramos na mesma sintonia. Uma alegria ter te (re)encontrado e te (re)conhecido. Torço muito para que consigamos conviver próximos ou aqui ou no interior de São Paulo.

Não sei se por azar ou sorte engravidei de novo na páscoa do ano passado. Isso me trouxe a alegria de uma filha, mas também muitos sentimentos e cansaços...

Sou muito grata por tantas bênçãos que recebo, como a minha família, um lar/teto, um lugar tranquilo e imerso na natureza onde vivemos, filhos saudáveis e perfeitos, um casamento cheio de amor e respeito, o trabalho do Víni que nos traz o sustento, os amigos abençoados que dividem conosco as conquistas e agruras da vida, etc.

Mas... Eu me sinto exausta. Já num ponto em que nem raciocino direito. No texto anexo explico melhor tudo. Eu lamento muito não ter familiares perto para ajudar na criação e na rotina com os meninos. Eu e Víni nos dedicamos ao máximo. Praticamente 24h por dia. Estamos como zumbis.

Sentimos felicidade, amor e paz de espírito. Mas tudo um pouco ofuscado pelo cansaço. E agora com uma preocupação a mais: com a chegada de Catarina construímos um quarto no térreo, o que melhorou muito nossa qualidade de vida, mas nos endividou. Não estávamos acostumados a dormir com a cabeça quente. Sensação sufocante.

Mas seguimos confiantes, fazendo nossa parte e esperando por dias melhores.

A visita ao interior de São Paulo continua sendo prioridade. Assim que quitarmos as dívidas vamos. Será um prazer visitar vocês. Assim como será um prazer recebê-los aqui a qualquer tempo.

2018-12 Parto Catarina

No dia 11/12/2018 eu convidei duas doulas Diamantinas para conduzirem meu chá de bênçãos, uma reunião de mulheres para se unirem num momento de celebração à vinda de Catarina. Uma coisa tão suave, tão bonita... Acho que compareceram umas quinze amigas, todas muito queridas, dentre elas três das minhas quatro doulas do Parir.

Foi uma linda e fresca tarde de sol meio tímido. Aos poucos elas foram chegando. As crianças brincando ao nosso redor. Elas prepararam um lugar aconchegante pra eu deitar no meio da varanda. Tudo lindo e fofinho. Eu deitei. Elas em roda em volta. Me cercaram e cobriram de flores. Eu estava vestida de branco, com o barrigão de fora. Enquanto cantavam suavemente e uma delas tocava o violão, eu me sentia flutuar... Foi mágico. Senti forte as presenças das mulheres que amo dentro de mim. As três gestantes presentes se emocionaram. Eu me emocionei! Acho que todos se emocionaram!

Víni estava por conta dos meninos, que brincavam pelo quintal, ora davam uma volta e ora estavam pertinho olhando atentos e tímidos.

Eu sentia cócegas muito suaves enquanto pintavam minha barriga. Eu sentia as massagens nos pés, os toques nas mãos de cada uma que vinha fazer uma oração. Ao longo das músicas de boas vindas elas chamavam por Catarina com muito amor. Eu me sentia no céu. Tudo lindo demais!

Mas cada vez que chamavam Catarina ela respondia! Se mexia toda na barriga! Eu só ouvia e via os sorrisos espantados de todas. Mas não era só isso: as contrações aconteciam, cada vez mais próximas e frequentes. Até que não aguentei ficar mais deitada e me levantei no meio da roda e comecei a dançar, rebolar e respirar. Que onda!!! Todas pareciam não acreditar que a parada estava ficando séria! Até que uma das doulas percebeu e me chamou pra nos examinar no quarto.

A mulherada dispersou com alegria, começaram a confraternizar e comer as coisas lindas e gostosas da mesa que havíamos preparado. Os meninos vieram com seus amiguinhos e sentaram em volta da bacia de pipoca. Eu entre uma contração e outra comia, brincava, ria e trocava abraços "cazamiga". Até que não deu mais. Me recolhi no tão sonhado novo quarto e me concentrei nas contrações.

Pedi ao papai para providenciar umas coisas. As minhas doulas do Parir já começaram a agir e preparar as coisas. Chamaram Natália, a enfermeira obstetra que é a líder do grupo e não tinha vindo porque estava trabalhando no postode saúde. Acho que ela chegou às 18h. Já chegou rindo de ver aquele circo armado, com platéia e tudo! Eu toda pintada e colorida.

Eu tinha progragramado com minha vizinha Preta, que é nosso anjo da guarda no Capão para começar a lavar as roupinhas na quarta, ou seja, no dia seguinte ao Chá de bênçãos. O berço lotado com as roupinhas. Organizadas, porém sem ainda receber a tradicional lavagem e passada a ferro antes de ir pro guarda roupa (novo, comprado só para a princesa!). Mas... Na hora as meninas escolheram algumas e já lavaram e outras só passaram para o primeiro uso. Meio na sorte, pois ninguém sabia o tamanho da boneca.

Escureceu. "Azamiga" foram embora. Eu fiquei no aconchego do nosso ninho de amor (novo quarto! Rsrsrsrs) sob a luz suave. Eu estava tão relaxada que (diferente dos outros partos) consegui vocalizar. A cada contração eu gritava, mas um grito direcionado, concentrando a dor pra baixo, me atravessando e saindo pelos pés. Natália comigo sempre me dando a mão e sussurrando "Deus é Bom". Meu velho mantra pra agradecer e entender que estava tudo certo e fluindo. Víni vinha, me dava um apoio, um carinho, depois saía pra atender as demandas dos meninos.

Eu pedi à Deus e à minha filha ao longo de nove meses para que não virássemos noite na peleja. Também pedi pra viver a experiência inédita de ter o rompimento natural da bolsa. E não é que foi tudo atendido!?!?!? A conexão espiritual foi intensa demais...

As meninas estavam providenciando a banheira e água quente pra colocar no banheiro. Água transparente, de chuva da Chapada esquentando no caldeirão na fogueira das minhas queridas bruxinhas modernas. Eu ansiosa pra deitar de quatro na água como foi no nascimento de Hugo. Mas não sabia de nada, a inocente!

Eu deitei na caminha de Marcelo. Recebi massagem na lombar, carinhos e exames. Tudo certo. E tudo rápido. E tudo profundo. Até que a bolsa se rompeu! Senti aquela cachoeira morna jorrando entre as pernas! Que alegria! Aí a jeripoca começou a piar! Fui pro chão, agachada na beira da cama. Urrei. Chamei Víni. Coloquei ele sentado na minha frente. Pendurei nos ombros dele. Senti a cabeça da minha filha encaixada descendo. Urrei. Sei lá, acho que foram umas cinco contrações até sair o corpinho todo. Eu estava sintonizada com meu corpo, tomei as rédeas, agi junto com a natureza e... Pari! Pus minha filha pra fora com todo respeito e amor do mundo. Foi mágico!

Natália a pegou e desenrolou as duas voltas do cordão no pescoço. Nasceu com o bracinho junto ao rosto, fazendo pose de diva. Logo chorou e abriu os olhinhos curiosos. Papai ficou emocionado, falante e eufórico. Deitei. Natália colocou a minha boneca no meu colo enquanto eu me ajeitava na cama e respirava pra aliviar dores e emoções. Aquele cheirinho tomou conta do ar...

Tudo lindo, tudo bom, tudo perfeito.

As duas amigas fotógrafas emocionadas em volta. (Uma delas grávida!) Todo mundo com cara de bobo, sorrindo.

Marcelo e Hugo se aproximaram para conhecer a irmã. Foi lindo demais! Hugo eufórico, teve xiliques de emoção. Marcelo tímido, mas se derretendo de amor. Um pouco agoniado ao ver sangue, mas foi forte. Papai em êxtase, enviou mensagem para as pessoas mais próximas.

A minha princesa Catarina Rosa nasceu linda, morena, cabeluda, a cara de Marcelo! Com 49cm e 3,15kg. (Graças a Deus veio magrinha! Assim saiu mais fácil! )

Mamãe guerreira aqui feliz e bem.

Depois vieram os procedimentos com placenta. Ave Maria! Acho que incomoda mais que o parto! Mas também com muito amor, respeito e profissionalismo da equipe. Enquanto isso a minha bonequinha grudou no peito! O detalhe é só que enquanto ela mama o útero contrai e dói pra caramba. Mas tudo bem. Ser mãe é isso mesmo. É transbordar de amor e dor ao mesmo tempo.

Depois recebi banho com tanto apoio que não recebia há mais de 30 anos! Rsrsrsrs Fui vestida e retornei pra cama já toda limpinha e cheirosa.

Depois a equipe se despediu com todo o carinho e partiu. A vizinha anjo da guarda Santa Preta chegou e foi preparar uma sopa turbinada. Os vizinhos Luana e Joel, e Andreza fotógrafa também ficaram nos trâmites na cozinha e nas demandas de banho, refeição e sono dos meninos.

Tudo encaixou perfeito.

Santa Preta e Luana me deram uma tijela de sopa com torradas. Detonei! Estava uma onça faminta. Gente, fiquei me achando! Um dia de princesa 5 estrelas!

Depois todos se foram e ficamos nós cinco no aconchego do nosso ninho de amor, ainda sob emoção estonteante, cheirinho bom no ar e as bênçãos de Deus. Dormimos com um cansaço gostoso e um sorriso no canto da boca, como se tivéssemos vivido uma grande aventura.

Gratidão, amor, alegria, aceitação, trabalho em equipe, fé, respeito e luz divina. Assim terminou nosso dia 11/12/2018. O primeiro com quinteto da Família Rosa completo. ♡

Agradeço do fundo do coração a todos que participaram desse grandioso momento, os encarnados e desencarnados, os presentes e os distantes, os que acreditaram no parto humanizado domiciliar e nos que me chamaram de doida bicho grilo! Rsrsrsrs Agradeço até os pedreiros, o pintor, os rapazes que montaram o guarda roupa, enfim, todos que ajudaram a estar tudo pronto para a chegada da princesa! E principalmente ao papai Víni pelo tanto que ele trabalhou e vai trabalhar pra poder nos oferecer tudo isso.

Que essa vibração de amor que transborda por aqui chegue aos vossos lares e toque seus corações. E venham conhecer nossa princesa e nosso harmonioso lar! Vão sentir na pele essa emoção!

2018-11 Festival de dança

Ontem, o mozão, as crias (e o barrigão, é claro!) fomos a um festival de dança no coreto. Mas eram algumas artes misturadas: teatro, música e circo estavam presentes.

Tiveram várias apresentações do pessoal do Capão e também de outras cidades da Chapada e de Salvador. Tinha até artista africano.

Também na platéia tinha gente colorida de outros cantos, sabe aquelas negras cheirosas feitas no pincel!? Suas peles e traços lindos, hipnotizantes... Aquelas baianonas de deixar a gente sem palavras? Nossa... Fiquei arrepiada. Sotaques fortes soteropolitanos até nos gestos. Me senti tão mergulhada na alma baiana que não resisti ao cheiro de acarajé no ar que comprei um e degustei enquanto assistia as apresentações. E tava era bom!

Só pra constar: está sendo um feriado atípico aqui. Um pouco baixo astral porque é dia de finados, então sem aquela euforia comum de quem vem se esbaldar no Vale em 3 dias (entre baladas e álcool). Está sendo mais cultural, mais famílias baianas que vêm se encontrar, descansar, curtir de leve a natureza e a vida na comunidade. Essa vibe mudou as caras dos visitantes e o estilo em geral do movimento na Vila.

Teve uma apresentação de uma senhora cadeirante com os cabelos grisalhos junto com um artista circense não cadeirante. Delicado e profundo. Trouxe a reflexãode várias coisas, como o respeito aos mais velhos, a inclusão com pessoas com deficiência, o convívio respeitoso e carinhoso entre os diferentes, a profundidade nos olhares, a cooperação, etc, etc... Sem dar uma palavra!

Teve uma apresentação de 4 moças jovens com um vestido marrom escuro esvoaçante e suavemente transparente, sem roupa íntima! Era dança afro, mas uma coisa intensa, visceral, que toca fundo na gente...

E tiveram muitas outras apresentações que não pude acompanhar de perto porque meus filhos queriam gastar energia no parquinho. Mas vi e ouvi de longe, e li na programação. Mas o coreto estava lotado, muitas pessoas assistindo concentrados e com olhos brilhantes de encantamento.

Fiquei refletindo sobre tudo o que o povo negro sofreu desde que começaram a ser capturados na África, trazidos pra cá em péssimas condições, os sobreviventes escravizados, e todo o resto que sabemos da história até os dias atuais. Gente, é uma história muito pesada pra se carregar na pele e ainda sofrer com tudo! E com medo, com violência, com dor, com humilhação... E eles conseguem carregar tudo com força, coragem, alegria, brilho, criatividade, bom humor e a capacidade de se reinventar todo dia. Como os admiro! Eles são a pura imagem da resistênci0a.

Fiquei lembrando do seriado "Ó paí ó", que mostra a vida de uma parte dos soteropolitanos e suas maneiras de lidar com os conflitos sociais que vivem no Centro Histórico de Salvador. Com crítica social, ironia, bom humor, criatividade, muita cor, muita arte, sensualidade e às vezes sensibilidade. Claro que é uma produção da Rede Bobo, né... Então de certa forma pegaram leve na crítica e capricharam mais na estética. Mas não deixa de ser um espetáculo interessante e divertido, que mostra para o resto do mundo um pouco do "jeitinho baiano de ser".

Eu conheço a Bahia desde 2001, desde então fiquei rodeando, morei em momentos diferentes em cidades do interior, estou na Chapada há cinco anos, casei e estou parindo e criando meus filhos aqui. Acho que é um bom lugar para eles passarem a infância, junto à natureza, em clima de comunidade, convivendo com pessoas de várias partes do mundo, num ambiente favorável à saúde e alimentação saudável, com uma segurança e tranquilidade que não se encontra fácil em outras cidades. Mas é interessante que moro aqui há cinco anos e nesse período nunca fui em Salvador! O meu contato com o pessoal de lá é esse: recebê-los aqui! E conviver com quem saiu de lá e veio morar aqui. Então nunca fiz prática de imersão lá. Rsrsrsrs (Já estive lá duas vezes, mas superficialmente, como turista.) Este evento fez eu me sentir na capital! E com orgulho de ter sido uma das cidades em que a maioria da população votou em Haddad e não no demônio! A vontade é sair distribuindo abraços neles! Rsrsrsrs

Com esse demônio no poder e seus súditos colocando tudo isso em prática... Assisti ao espetáculo com um nó na garganta! Mas ao mesmo tempo com orgulho da coragem e força deles! Nunca senti tanto orgulho da Bahia quanto agora! A sensação era do bicho pegando lá fora (nas outras regiões do país) e nós aqui desfrutando de espetáculos de alto nível de arte com nossas crianças. Ô, bolha abençoada!

A arte é a vida deles, é resistência, é existência, é sobrevivência!

Viva o ARTEVISMO!

Viva Mestre Moa do Catendê!

Viva Zumbi dos Palmares!

Viva a Consciência Negra!

Viva os quilombolas, os ribeirinhos, os indígenas, todas as comunidades tradicionais!

Viva as mulheres!

Viva os pobres, trabalhadores e artistas!

Marielle vive!


Tamo junto! É nóis!







Parabéns aos organizadores e todos que fizeram este evento acontecer. Veio em muito boa hora, quando precisamos de arte para aliviar os desgostos políticos e nos unirmos.

2018-10 Notícias

Graças a Deus estamos bem. Na rotina: Víni trabalhando muito, o que implica em mais tempo eu sozinha na lida intensa com os dois anjos e mais os cansaços normais aos 7 meses de gravidez. (Constantemente Víni fica dias e noites fora em trilhas, imagine...)

Na verdade estamos retomando a rotina após 15 dias recebendo a visita da minha sogra Dona Cândida e da amiga Andreza, fotógrafa de Brasília. Foram bons dias, apesar de muito cansativos. Todos ficamos eufóricos com presenças diferentes em casa. Os meninos pirando na vovó (e a coitada custando a acompanhar a energia deles). Eu pirando pra manter tudo em ordem, mais que o normal, sem pausas para descanso. Além do que em toda folguinha nos meus afazeres de mãe-dona de casa, a gente estava sendo fotografado pela Andreza, fosse em casa ou em passeios. Nunca pensei que fosse achar tirar fotos cansativo! Rsrsrsrs Mas valeu a pena. O álbum está lindo, tanto as poses de book de gestante quanto os cliques dos nossos momentos em família. Parece comercial de margarina: cada olhar apaixonado...

Estou tranquila, pois retomando a rotina voltaremos ao normal.

Quer dizer, mais ou menos voltaremos à rotina. Na próxima semana o pedreiro (enfim!) começará a obra do novo quarto, acoplado à sala, no mesmo andar. Não aguento mais a sofrência de subir/descer escada com barrigão e menino no colo. Faremos um novo quarto que vai acolher nós cinco! Vai ficar ótimo! O problema é o custo, mas Papai de 3 vai secar as canelas de tanto subir montanha com turista pra pagar. Vai valer a pena.

Os meninos estão ótimos, cada um em sua fase, cada vez mais independentes. Se eu não estivesse grávida estaria tirando de letra, já poderia colocar os dois numa escola e ter uma parte do dia livre para trabalhar.

A gravidez em si vai bem. A barriga enoooorme, já me incomoda pra dormir e preciso de pausas ao longo do dia para aliviar as costas e pernas. Graças a Deus não engordei muito. Todos estão dizendo que estou linda, mais que nas anteriores.

Como sempre, estou sentindo falta de dançar, passear, ouvir música, socializar com amigos, etc. Mas pelo menos agora faz calor e belos dias. Isso já melhora o astral. E sempre que dá dou uma volta pelo Vale com meus futricos pra desanuviar. Também vamos no máximo de eventos culturais que consigo: qualquer coisa na Vila, circo, teatro, samba, roda de mães, festinhas de aniversário, etc. Tem ficado um pouco mais difícil porque ainda não dirijo, então vou a pé: Marcelo andando e Hugo no carrinho. Caminhamos cerca de 6km (Ida e volta). Está ficando mais pesado porque a barriga pesa, doem as pernas e costas. Mas vira e mexe rola uma carona, ou se Víni está disponível ele nos busca. No fim sempre dá certo.

Bem, nossa vida é simples, mas muito harmoniosa. Dou graças a Deus por podermos desfrutar dessa paz no atual cenário político do país. Nossos amigos que vivem em cidade grande estão todos doentes, exaustos, sugados, endividados e meio pra baixo. Aqui é um pequeno oásis. Não é perfeito, mas pelo menos para esta primeira infância das nossas crianças é um privilégio. E também pra mim e pro Víni, que acompanhamos bem de perto todos os detalhes da vida deles. Não somos como os pais da cidade que quase nem vêem seus filhos.

Claro que temos sonhos e projetos, mas o momento é favorável apenas para priorizar os filhos e o trabalho para nosso sustento. Acredito que quando a caçula tiver 2 ou 3 anos vamos ter mais flexibilidade e mobilidade.

Uma coisa importante que quero mencionar neste “relatório” é que falta pouco para desmamar Hugo. Ele está com 1 ano e 2 meses. Por mim ele mamaria como Marcelo, até 2 anos e meio. Mas acho que ele vai sentir muito ciúme da irmã e eu vou ficar muito exausta. Ao longo do dia ele nem pede peito, dou outras coisas pra comer – ele come super bem. Só à noite que ele fica grudando no peito. Acho que mais para me manter colada nele. Mas na próxima semana vou deixá-lo dormir com o pai em outra cama. Acho que em duas semanas vamos conseguir desmamar sem traumas. Aí terei um mês de folga até começar tudo de novo.

Estou tranquila quanto ao parto. Vai ser em casa, como o de Hugo. Estaremos assistidos pelas nossas amigas enfermeiras obstetras e parteiras. Provavelmente teremos um registro fotográfico profissional. As expectativas são as melhores possíveis. Eu só deveria estar conseguindo fazer as caminhadas diárias, mas com as demandas e o cansaço tenho falhado. Mas Deus proverá e terei as forças e energias necessárias no grande dia e no puerpério. Também estou contando a providência divina pra ter uma ajudante nos primeiros seis meses. Três, mais casa, refeições e roupas não será moleza.

Uma dificuldade que vai e vem tem sido dentinhos de Hugo nascendo. Agora são os de trás. Em vez de dormir 8 horas por noite tenho dormido 5. Está foda. Fico mau humorada e zumbi todas as manhãs. Mas graças a Deus essa fase vai passar.

Seus olhos já devem estar lacrimejando de tanto ler, né? Vou parar por aqui. Acho que já escrevi o suficiente pra você ter ideia de como temos passado.

Gostaria de receber suas notícias um pouco detalhadas também. Imagino que tenha preguiça de escrever. Então pode ser por vários áudios curtos, separados por tema, ou melhor: você reservar uns 20 minutos pra me ligar no fixo. As boas e velhas ligações são as melhores! (No seu dia de folga, em casa, de boa, de preferência sozinha em casa. Tenho plano pra falar à vontade. Dê o toque que retorno.)

2018-09 Para a amiga

Oi, querida amiga. Tudo bem? Aproveitando o mar, o sol, o calor humano dos amigos e a paz de dar um tempo na rotina? Espero que sim, e que volte bem, revigorada e cheia de luz.

Aqui eu e meu pequeno clã estamos na rotina. Mas para mim está cada vez mais difícil e cansativo. A barriga pesando, calor, pés começando a formigar... Acho que entrei na reta final da gravidez.

Estou triste porque a obra do quarto novo ainda não começou. Aposto que não vai ficar pronto antes de Catarina nascer.

Mas estou muito feliz por outro motivo: um grande amigo, que é um pai pra mim nos deu de presente um computador novo, coisa chique! Chegou há três dias. Não vejo a hora de poder sentar na frente dele e disparar a escrever! Víni já está usando pra trabalhar. Mas como além das minhas demandas os meus pentelhos estão o tempo todo ao meu redor, ainda não pude desfrutar. Mas aos poucos vai rolar.

Bem, nem só de rotina e barriga eu vivo. Eu penso muito, o tempo todo! Rsrsrsrs Um assunto que tem martelado na minha cabeça é o ego. Preciso (um dia...) retomar minhas leituras sobre o tema, principalmente nas fontes de livros kardecistas. Eu creio que é a idade, que faz a gente analisar as coisas de outro ângulo...

Ao longo da vida vamos vivendo situações ou fases que nos obrigam a engolir uns sapos, a baixar a bola e esperar o tempo passar. No momento ficamos irritados, tristes e ansiosos. Mas depois vemos que tudo foi válido para aprendizado, e do melhor jeito e na melhor hora. Pensar assim me ajuda muito a me conformar com meu presente sem pirar.

Um grande exemplo disso é que sempre "me achei". Sempre reconheci minhas virtudes, meus valores, minha ética, minha inteligência, minha capacidade de esforçar muito com foco e determinação e minha história. De certa forma me sentia destacada da maioria das pessoas ao meu redor: família, colegas de escola ou trabalho, amigos, vizinhança, etc. Minha mãe me chama de "soberba, esnobe e que acho que sou melhor que todo mundo". Não chego a tanto. Em poucas ocasiões fui esnobe. Eu respeito muito as pessoas, suas histórias e limitações. Só não me sinto à vontade em meios (eventos, encontros familiares, agora em grupos virtuais, etc) que não têm nada a ver comigo. Ex: minhas primas que gostam de futebol, música sertaneja, visual de piriguetes e homens podres. Nunca consegui passar muito tempo no meio delas. Minha mãe sempre ressentiu com isso.

Tive meus momentos de glória, como quando passei no vestibular (em primeiro lugar na UFMG), quando casei, quando fui para "o intercâmbio" na Paraíba.... Quando pari e quando amamentei, mesmo com dor, sofrimento e muita gente contra. Enfim, tenho meus motivos de orgulho por mim mesma.

Mas ainda não cheguei no ponto que quero. O fato é que preciso exercitar a humildade, baixar a bola, controlar meus preconceitos e tirar o foco de mim. Acho que por isso Deus me colocou no lugar onde estou. Exemplo: quando vim pro Capão pensei que nunca faria amigos, pois não faço parte ideologicamente de nenhum grupo, às vezes acho que nem tenho assunto. (Acredita!? Rsrsrs) Eu sempre tive a maior preguiça de evangélicos em geral, principalmente desses mais simples, com menos estudo, daquelas igrejas super fechadas entre seus membros com aqueles líderes que gritam. Mas aqui na vizinhança, quem são os que mais me ajudam? Os crentes! Se isso não é exercitar a humildade não sei dizer o que é.

Citei o caso dos evangélicos, mas posso estender para outros grupos. Ou mesmo para coisas mais práticas, como morar "na roça, com estrada de terra e recursos limitados". Eu que sempre me achei dinâmica, prática e à frente do tempo, agora vivo toda amarrada, travada, sem produzir nada de muito interessante (além de filho e lar).

Como me expresso bem, e em situações de debate, ou reuniões, ou ambiente acadêmico ou profissional, sempre me destaquei. Eu lia, pesquisava e na hora "do palco" arrasava. Falava bonito, com conteúdo e segurança. Era aplaudida e respeitada. Isso me deixava com ego lá nas alturas. Agora sem palcos, sem plateia e quase sem ninguém ao redor, o ego anda murchinho... De certa forma me sinto desperdiçada. Mas aproveito a ocasião para exercitar a humildade, ouvir e observar mais, e me expor menos.

Já não acho que sou tão foda assim. Sou muito boa numas coisas, e fraca em outras. Como todo mundo. Tenho buscado reconhecer, valorizar e respeitar o lado bom de cada uma das outras pessoas. Tenho buscado entender o contexto de cada um e entender o que ao meu ver são limitações.

Confesso que sempre tive a maior preguiça de gente lerda, que não tem agilidade prática e nem intelectual. Mas a maioria é assim! Então tenho que focar e tentar cobrar e esperar pouco dos outros. A quem eu puder ajudar a desenvolver, ótimo. Quem não, deixo pra lá e pronto.

Até pra escolher amigos eu selecionava pela competência. Na faculdade fiz pouquíssimos amigos! Rsrsrsrs Eu era muito exigente.

Mas agora escolho pelo amor, pelo olhar, pelo carinho, pela forma de tratar quem está ao redor, pela disponibilidade em ajudar, pelo respeito e coisas simples assim.

2018-09 Dicas para mamães

Algumas das minhas melhores amigas estão grávidas (ou recém paridas)! E a cada dia recebo mais uma notícia inédita de gravidez! Algumas eram esperadas e outras totalmente surpresa...

Grávidas e eu também! Não é legal demais!???

Amigas, sejam bem vindas ao mundo das mamães. Que Deus abençoe vocês com saúde e tranquilidade durante a gestação, durante o parto, no puerpério, no primeiro ano e pro resto da vida!

Nossa responsabilidade é muito grande, de darmos amor, educação e passar para os novos cidadãos do planeta valores, caráter, ética, muito respeito, sensibilidade, gratidão e uma consciência ampla perante o mundo. Vamos dar nosso melhor!

Não é fácil... A gente sente muita dor, medo, solidão e vários sentimentos contraditórios. Mas damos conta. Tudo passa. Só o amor fica e só cresce. Vocês vão se surpreender com sua capacidade! E o maior troféu e ver os filhos se tornando independentes, seguros e com coragem para cumprir seu papel no mundo.

Contem com todos os apoios: dos papais, dos avós, das irmãs, amigas, vizinhas, "dazamiga" e até das sogras! Rsrsrsrs Só com apoio a gente sobrevive. A maternidade esfrega na sua cara o quanto precisamos uns dos outros...

A seguir algumas dicas, principalmente para as de primeira viagem:

1- Não seja sedentária. Caminhe todos os dias. Hidroginástica, yoga e dança melhoram muito a disposição no dia a dia.

2- Cuide da alimentação. Se hidrate. Tome em jejum todas as manhãs suco de couve com limão e melaço de cana. Alivia os enjôos e é uma bomba de ferro.

3- Contrate uma doula o quanto antes.

4- Não seja muito ansiosa. Relaxe quanto à burocracias e coisas materiais. Muita coisa é desnecessária.

5- Não aceite tudo o que os médicos disserem. A lógica deles é acharem que são deuses, e a lógica capitalista.

6- Se prepare (e se informe) para um parto normal humanizado. Não aceite cesárea!!! Procure uma equipe preparada e experiente.

7- Não dê ouvidos a todos os palpites.

8- Você deve se conectar com muito amor com você mesma, seu bebê e seu companheiro. Se os três estiverem sintonizados, tudo fluirá lindamente.

9- Não compre roupas e calçados pra você. Pegue emprestado das amigas, irmãs e até do marido. Assim que parir devolva tudo ou passe pra frente.

10- Mantenha uma postura leve e otimista. Tenha fé e se cuide. É impressionante como tudo vai dando certo!

11- Durma sempre que o corpo pedir. Inclusive aproveite, porque vai levar anos até poder dormir de novo!

12- Não compre nada para o bebê. Espere nascer. A gente ganha muita coisa! Depois você compra só o que faltar.

13- Se comprar, não compre nada rosa ou azul. Compre sempre em cores e modelos unissex. Assim facilita para o segundo filho ou para doar/trocar.

14- Se for menina, esqueça aqueles exageros desconfortáveis, aqueles vestidos que parecem bolo de aniversário, mil laços e acessórios. Seja simples e priorize o conforto.

15- Evite excessos de tudo. Senão depois você fica cheia de bagulho pra limpar e organizar, e ainda fica tropeçando em coisas, ou com armários lotados.

16- Meus meninos nunca assaram. Só ficaram com os bumbuns vermelhos porque às vezes eu colocava fralda diferente da Pampers (Confort Sec, do pacote verde). Aí eu passava óleo de girassol e maisena. Maisena eu aplico a cada troca. A cada cocô eu já tiro tudo e lavo na hora. Lenços umedecidos só servem para passear. De preferência sem perfume (de marca boa, tipo Johnsons ou Pampers). Aqueles baratos e perfumados fazem mal. Depois do terceiro mês comecei a usar fraldas de pano. Dá trabalho lavar toda hora, mas compensa. É só se esquematizar.

17- Sobre a ficha cair: relaxe. A ficha cai em alguns momentos: quando mexe pela primeira vez e quando você faz um ultrassom de qualidade e vê o bebê todo se mexendo. A gente pira! E o pai tem que estar junto! Quando a gente descobre o sexo e quando a gente escolhe o nome também. Materializa o que parecia meio vago. A ficha cai de seis meses em diante, quando você fica oficialmente grávida: Não consegue disfarçar. Todos que passam por você na rua sorriem, principalmente as crianças. A gente fica maravilhosa, cabelo e pele perfeitos, vestidinho e barriguinha... Fica tudo lindo... É tipo um super poder! Toda hora alguém te dá lugar, te passa a vez e te protege. Eu nunca me senti tão importante.

18- Ao longo da gravidez a gente se prepara para o parto, na cabeça (além da parte física). As aulas de yoga fizeram toda a diferença. A respiração, os exercícios na vagina, as reboladas, a força que a gente aprende a direcionar de cima pra baixo, a luz violeta que a gente imagina durante cada contração atravessando da cabeça aos pés, a aceitação da dor, a posição de comando... São muitas coisas envolvidas... Inclusive no resgate do nosso próprio parto, a relação com nossa mãe... O yoga trabalha tudo isso, e durante o parto você percebe tudo com clareza.

19- Participe de uma roda mensal de gestantes na sua cidade e verá lindos relatos confirmando tudo isso.

20- Se já for o segundo ou terceiro filho, não se desespere. A gente dá conta. E com o passar do tempo só melhora.

Texto especial para: Iasminy Tati Lidi Luana Q And. L. Luana H Camila B Serena Elis B Elis C
Patrícia P Denise Lorena Raquel Bárbara Damiana Natane Aline Aila Maria José

2018-07 Otimismo

Otimismo é um estilo de vida para mim. Já passei por tanta coisa nessa vida... Mesmo quando tudo parecia dar errado pouco depois eu via que estava tudo certo. Se eu optasse pelo pessimismo teria morrido aos 15 anos.

Acreditar que vai dar certo, trabalhar contando com isso, é uma forma de exercitar a fé e a esperança. Aliado a essa postura estão a resignação e a resiliência. Características que desenvolvi muito nova, bem antes de conhecer seus nomes.

Sem otimismo e bom humor eu teria sucumbido às tentações para o suicídio ou teria permanecido num constante estado doentio de depressão grave. Mas com o auxílio da espiritualidade, da natureza, da música e dos amigos sempre consegui levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima (como canta Beth Carvalho).

Passar por um momento de dificuldade é normal. O lance é encarar, aproveitar cada recurso disponível para ajudar e olhar ao redor e ver quantas pessoas estão (ou estiveram) em situação muito mais difícil. A gente sente até vergonha por reclamar de qualquer coisa.

Exemplos: a quantidade de pessoas que estão fugindo de seus países com apenas a roupa do corpo, meio sem rumo, sem falar outro idioma, sem dinheiro, sem comida, sem conhecer ninguém, sendo maltratado e humilhado... Tipo o pessoal da Venezuela, da Síria e dos países do Oriente Médio em geral. Esses são casos extremos e distantes. Mas temos muitos exemplos próximos: 1- Eliete (minha vizinha pouco mais velha que eu), tão jovem, com filho pequeno, encarando um câncer e o duro tratamento. 2- Preta (outra vizinha da minha idade), quando teve Álvaro, quase morreu, teve que operar o coração. Foi quase um ano de tratamento, ficando longe dos filhos pequenos. 3- As mulheres de Mambaí GO (onde morei em 2016 e 2017), cujos maridos trabalham nas fazendas e só vêm em casa aos finais de semana. Elas praticamente criam os filhos sozinhas.

Não é uma peleja de alguns dias que vai me assustar. Tenho saúde, tenho filhos saudáveis, tenho um lar confortável, tenho recursos que facilitam a solução de pequenos problemas do dia a dia (como telefone, internet, cartão de crédito, crédito (fiado) no mercado local, vizinhos disponíveis para ajudar, carro, etc...)

Deixe que o amanhã traga suas próprias aflições, sabiamente disse nosso Mestre Maior. Sofrer por antecedência? Jamé! Já basta saber que o pepino vai engrossar em breve. O lance nesse caso é aproveitar bem enquanto não piora (ex: tenho dois filhos com suas demandas e as demandas da casa - diariamente! Sem descanso, sem trégua pra fazer as coisas que gosto, sem poder me deslocar, sem amigos por perto... Fico exausta? Ainda mais com nível de qualidade que gosto de manter... Sim. Muito exausta. Mas tudo bem. É a fase em que estou vivendo. Vou reclamar? Não, afinal daqui a pouco serão três crianças, eu toda arrebentada, peitos arregaçados, com dor pra todo lado, sono infinito, meus hormônios em montanha russa, neném esgoelando, os outros solicitando atenção, etc... Então por enquanto estou no paraíso! Rsrsrsrs)

Claro que tenho meus momentos de fraqueza, de tristeza, vontade de sumir, de chorar, de morrer... Mas pra aliviar e ajudar a voltar para o eixo tenho uma amiga/psicóloga aqui no Capão. Ela me ouve chorar as pitangas sem me julgar ou sem me olhar a partir de um ponto de vista rígido. Ela é respeitosa, compreensiva, cabeça aberta, tranquila e gentil. É minha única válvula de escape atualmente. E no dia a dia tento fazer coisas que me fazem bem pra dar conta e levar tudo mais leve.

E para incentivar a continuar na linha, fazendo o trabalho formiguinha, existem as conquistas que alcançamos periodicamente. Coisas que aos olhos "dos de fora" são bobagens, pra nós é resultado de muito esforço, ao qual iremos desfrutar com muito gosto e amor. Exemplo: cada melhora nesta casa. Estou com Víni há cinco anos e sei o quanto a casa já recebeu investimentos e melhorou. Está cada dia mais aconchegante, agradável, segura e bonita. É nosso lar! Humilde, mas é nosso ninho de amor!

Por isso Víni seca as canelas de tanto trabalhar e eu dou o meu melhor como mãe, dona de casa e esposa. Mais pra frente virão outras funções, demandas e conquistas. Mas hoje nossa missão é esta.

Sem otimismo eu seria uma medrosa. E tenho total antipatia por excesso de medos e receios! Isso trava a vida. Se eu fosse medrosa não teria vivido nem 5% das coisas legais que vivi. Tudo envolve um certo risco e tudo bem. Os riscos fazem parte, são desafiadores e estimulantes. Por quê não tentar, experimentar e até voltar atrás caso dê errado?

Não sou do tipo de pessoa que estaciona na zona de conforto e se fecha para o mundo. Gosto de aventura, da novidade e novas possibilidades. Claro que quanto mais velho a gente vai ficando vai apurando mais os gostos, se conhecendo melhor, ficando mais exigente e chato. Mas isso é o resultado de conhecer muitas coisas e aprender a escolher o que é bom pra nós e excluir o que não convém.

2018-07 Notícias

Marcelo está muito falante, peralta, inteligente, cada vez mais independente. Tem uma grande amizade com dois irmãos de 5 e 7 anos, que são nossos vizinhos. Revezam entre brincar lá e aqui em casa. Brinco que temos guarda compartilhada com a vizinha!

Viciado em tv, celular, tablet e computador. Tenho que controlar.

Marcelo ama passear pelo Capão. Ama trilhas, estradas, pontes, rios, árvores, montanhas, animais e tudo da natureza. Ele diz que é o guia, e vai explicando tudo no caminho.

Também ama a vila, que é o centro comercial e social daqui. Tem uma pracinha, com coreto, onde acontecem muitos eventos, apresentações de artistas, malabaristas, palhaços, músicos, etc... Ou simplesmente crianças brincando. Tudo muito colorido e alegre. Ele curte intensamente.

Aqui tem o circo permanente. Sempre que dá levo eles pra brincar lá. Às vezes tem espetáculo. Mas eles brincam tanto antes que na hora dormem.

Hugo Também! Pira em cada passeio! Hugo tá muito sapeca! Dia 18 ele vai completar 1 aninho. Está quase andando. Ama subir escadas. Sobe na cadeira e logo na mesa sozinho. Joga tudo no chão. Desisti de usar toalha na mesa. Abre o armário e joga as vasilhas no chão. Abre as gavetas e joga talheres e panos de prato tudo no chão. Aponta, abre as mãozinhas e diz: "iiiiiii oooo" que significa "iiii olha a bagunça que eu fiz!". Depois ri com a cara sem vergonha.

As festas juninas foram intensas. Fomos em algumas. Aqui é cidade turística, Então vem muita gente pra cá. Muita música, comida, apresentações diversas e muitas pessoas diferentes.

Eu estou sempre cansada, sempre na luta pra manter casa limpa, meninos limpos, comida boa pronta na hora certa, roupas lavadas... Você sabe como sou! 🤪 Atualmente estou sem ajudante. 😭 Mas Víni estando em casa ele me ajuda.

Hugo entende tudo. Ama passear. Ama banho, come loucamente de tudo. Mama mamadeira e peito. Dorme a noite toda. Adora pentelhar Marcelo. Vivem entre tapas e beijos...

Víni está feliz. Ele ama o lugar, o trabalho, as crianças e nosso estilo de vida. Também está curtindo a chegada de Catarina. Só está quebrando a cabeça pra investir em algo pra aumentar a renda. Precisamos construir mais um quarto urgente e trocar o carro por outro maior. Com fé em Deus vamos conquistar tudo.

2018-04 Notícias

Os meninos estão lindos. Quando eu digo lindos, não me refiro à aparência física. Quero dizer que estão com saúde, bem dispostos, sorridentes e sapecas. É uma beleza do conjunto completo, deles interagindo com a gente, entre eles, com os amiguinhos, com a casa, com quintal, com a vizinhança e com o mundo.

Hugo engatinhando pra todo lado, curioso, desbravador, destemido e atento a qualquer barulho e qualquer coisa minúscula no chão, como fios de cabelo, formigas, etc... Hugo come de tudo, quer experimentar tudo, quer participar do preparo da comida, quer ficar em cima da pia enquanto lavo a louça, e claro que enfia a mão embaixo da torneira... Hugo é risonho ao cubo! Até dormindo ele sorri ao ouvir a voz de Marcelo! É mimoso, quando vê alguém que ele gosta encosta a cabeça no peito de quem está segurando-o e lança aquele olhar terno e uma piscada longa. Ele AMA entrar no banheiro e ficar lá brincando. É uma luta tirá-lo de lá toda hora (Marcelo vive deixando a porta aberta). Sabe porque ele ama o nosso banheiro? Porque foi lá que ele nasceu! Eu deixo o banheiro extremamente limpo e seco e acabo deixando ele brincar um pouquinho com os brinquedos de banho.

Marcelo está enorme! Parece que tem 6 anos! Nem cabe no meu colo, ficam as pernas longas pra fora! O corpo todo sarado, peludo e moreno. Cada detalhe é lindo: pele, mãos, pés, cabelo de cachinho, olhar profundo e risadinha sacana. Ele tem personalidade forte, é muito reservado, odeia aglomerações: não vai em festas de aniversário e nem no seu próprio deixou a gente cantar parabéns! Ele é tímido, não gosta de ser o centro das atenções, não gosta que falemos dele a outras pessoas e não gosta de muvuca em geral. Também não gosta de lugar barulhento, nem criança chorona. Marcelo gosta de ter o espaço dele, físico e psicológico. Gosta de tudo organizado e limpo. Ai de quem suja ou bagunça as coisas dele! Hugo sempre faz isso e ele pira. Marcelo gosta de rotina. Gosta de entender o mundo e de explicar o funcionamento das coisas para os coleguinhas. Por exemplo, se está na casa de um menino e começa a anoitecer, ele diz: "O sol foi embora. Está ficando escuro. Está na hora de ir pra casa tomar banho e lanchar." E exige que todos sigam à regra. Aliás, adora impor suas regras e tem dificuldade de aceitar regras alheias. É necessário argumentar e provar pra ele que é o melhor jeito, assim ele vai cedendo aos poucos até assumir a regra internamente. Marcelo gosta muito de assistir TV, ou vídeos no tablet e no celular. E fica arretado quando a energia acaba ou falta internet. Mas controlo o uso, vou controlando entre horários. Tem hora de brincar no quintal, hora de receber os amigos, hora de jogar bola e correr no campinho (ou na pracinha), hora hora de ir pra casa dos amigos, hora do banho (lúdico, com bacia e brinquedos), hora de ficar nos aparelhos tecnológicos e a hora sagrada de dormir. Ao longo do dia as atividades vão mudando. Ele agora está numa creche Waldorf, de segunda a sexta, pela manhã. Apesar da enrolação pra acordar, trocar de roupa, escovar os dentes, tomar café e sair, ele gosta de ir. Sempre chega contando os ocorridos. Bom que tenho as manhãs livres pra ouvir as notícias e músicas no rádio enquanto cuido da casa, de Hugo e preparo o almoço. Também é bom porque ele chega, vai direto pro banho, almoça e depois tira uma soneca. A escolinha é Waldorf, né? Isso significa que lá ele sobe em árvore, brinca na areia, tem total contato com a natureza, socializa com os dez coleguinhas, se alimenta bem e gasta muita energia. Além de ouvir histórias e fazer atividades orientadas pelas "tias" muito bem treinadas pela pedagogia Waldorf (quem conhece tem noção do que estou falando). Tudo funcionando bem, graças a Deus.

Em casa na parte da manhã eu conto com a ajuda de uma moça. Nos revezamos entre Hugo, casa e cozinha. Sempre dá certo. Pra mim é uma benção. Pelo menos enquanto Hugo é pequeno, essa ajuda é fundamental pra mim. Bom que também tenho alguém pra conversar assuntos diferentes. Isso me faz muito bem. Com ela troco muita energia, dôo e recebo. Dou conselhos, conto minhas histórias de vida, de viagem, da história de amor mais bonita que conheço e que está completando 5 anos... Falar me deixa muito leve e feliz. Ouvir me faz rir, me faz pensar, me conecta ao mundo.

À tarde às vezes rola o milagre do sono sincronizado, do qual também desfruto. Se o sono não é sincronizado, brinco com um enquanto o outro dorme. Mais no final da tarde caminhamos. Geralmente até o mercado. Às vezes até a casa de alguma amiga, ou mesmo até a vila, onde tomamos sorvete, ou açaí ou lanche. Essa caminhada é super importante pra mim, pra eu tomar sol, movimentar o corpo, ver gente diferente e sair de casa. Meu plano é encontrar alguma atividade em grupo pra eu fazer, algo como dança, ou yoga, ou capoeira, etc...

No final da tarde/início da noite tem a saga do banho, os quatro juntos. Com muita alegria, bagunça, às vezes briga, às vezes choro (tem dia que Marcelo já está muito sonolento ou com fome), enfim, no meio do caos terminamos o banho, nos vestimos, ponho as roupas sujas no lugar, estendo as toalhas, organizo o banheiro... Lembrando que o banho acontece num banheiro (suíte) em cima da casa, passando por fora. Ou seja, subo e desço escada no meio do auê com menino no colo... Nem é cansativo, imagina... kkkkk Depois vem a saga do lanche. Mas é mais tranquila.

À noite é quando nem Víni nem eu estamos trabalhando. Ficamos os quatro na sala. Assistimos tv (desenho/jornal/novela), brincamos no tapete, rolamos no chão e tudo o que for possível neste espaço/tempo sagrado. Por volta das 22h vamos todos pra cama. Víni e Marcelo dormem na cama de casal e eu na de solteiro com Hugo. Por enquanto assim é melhor porque eles são todos grandes e se mexem muito na cama. Um mexe e joga as pernas em cima do outro, e assim acordam.

Hugo e Marcelo se dão bem o tempo quase todo. Vivem se abraçando e se beijando, um fazendo o outro sorrir. Mas às vezes rolam uns "fights"! Disputa por brinquedo, ou celular, ou um quer dormir e o outro vem pentelhar... Eu tenho que ficar muito atenta para Marcelo não machucar Hugo.

Tem outros detalhes que fazem parte da rotina:
*coloco fraldas de pano em Hugo, o que significa ir pro tanque pelo menos 4 vezes por dia para lavá-las.
*os dentinhos de Hugo estão nascendo, o que significa muito mais demanda para mim.
*Víni às vezes vai para a trilha e fica dias fora, o que exige de mim muito mais demanda e insegurança emocional.

Estou sempre cansada, mas sempre feliz. Tirando na TPM que me deixa mal humorada, impaciente e rabugenta por uns 4 dias. (Editado: Mal sabia eu que foram apenas 2 TPM's até engravidar de Catarina e então levar mais quase 2 anos para menstruar de novo!)

Nossa rotina é intensa. Nunca tenho tempo pra outras coisas. Sinto muita falta de usar o computador. Pego no celular muito pouco. Levei 3 dias para escrever esta mensagem! Rsrsrsrs

O ritmo do dia é fortemente influenciado pela noite anterior. Se a noite foi tranquila, se todos dormimos direto, se dormimos as horas suficientes, o dia transcorre de boa. Mas se um de nós dormiu mal, principalmente se foi um dos meninos, os outros quase não dormiram também. Se for resfriado, fica difícil porque preciso passar a noite sentada ou em pé para que o menino respire melhor. Se for dor de barriga, aumenta a demanda com as idas ao banheiro. E como o quarto e o banheiro fica em andares diferentes, fica super cansativo subir e descer escadas com criança toda hora. Se um chora, o barulho acorda todos da casa. Se chove forte, com muitos ventos, raios e trovões, a gente fica em estado de alerta e não descansa bem. Isso acontece com uma certa frequência. Quem tem filho sabe sobre essas variáveis que comprometem o bom funcionamento dos nossos corpos durante o dia. Inclusive se não dormimos bem por algumas noites seguidas, ficamos com dor de cabeça, mal humor e lentidão. Por isso, as noites de sono são sagradas e fazemos de tudo para que sejam tranquilas e reparadoras.

Outra coisa importante é nossa interação com a natureza aqui no Capão. O clima é quem dita o estilo do dia. Se amanhece chuvoso e frio, as atividades são mais dentro de casa, é um tipo de alimentação e não tem como fugir dos eletrônicos. Se amanhece de sol, já despacho as crianças pro quintal, Marcelo vai brincar com os vizinhos, eu tento tomar um pouco de sol, ouço rádio e músicas. Esse detalhe faz toda a diferença no meu bom humor. Ainda mais agora que Marcelo passa as manhãs na escola, estou me esbaldando com rádio (rádios de BH) e músicas. Canto, danço enquanto faço as coisas da casa e relaxo. Além do clima, tem as plantas em geral, com quem temos uma relação muito próxima. Por exemplo agora é época das quaresmeiras que ficam muito roxas enfeitando a paisagem. Tem também as árvores frutíferas que bombam no Vale nos dando frutos, sombra e felicidade. Ah, o céu do Capão é um trem de doido! De dia ou de noite, com lua ou com estrelas, com chuva ou sol... Mas lua cheia e pôr do sol até as crianças ficam eufóricas. É lindo demais! Às vezes rola até fogueira para apreciação.

Um capítulo à parte é a alimentação saudável à qual temos acesso fácil aqui, a um preço barato comparado a muitas outras cidades. Muitos orgânicos são vendidos na feira, nas quitandas, mercados e de porta em porta. Tem até um rapaz que entrega leite de vaca não industrializado em casa (R$3,50 o litro!). Várias opções de alimentos vegetarianos, como pães, tortas, pizzas, sanduíches, salgados, PF's, doces, etc... Tem gente que vende até peixe fresco na porta da gente! A feira além de oferecer diversos produtos bons e baratos, ainda é um ponto de encontro das pessoas. Na feira tem até japonês de verdade vendendo comida japonesa! Tem capoeira, meditação, a criançada brincando livre, malucada fazendo malabares, outros tocando música... Tudo ao mesmo tempo!

A interação social no Capão é um espetáculo à parte. Uma simples ida ao mercado pode ser repleta de abraços, sorrisos, ajudas (eu que o diga carregando crianças e sacolas morro acima) e surpresas (como encontrar velhos amigos e conterrâneos, ou animais livres encantando o dia). Sem falar na quantidade e variedade de eventos culturais como circo, música, dança, medicinas/encontros de terapias de cura, palestras, mutirões ou mesmo uma pelada no campinho... E os noturnos que nem sei...

A cooperação vicinal também me deixa impressionada! Desde situações especiais como um parto em casa até situações simples do cotidiano lá estão os vizinhos participando e dividindo as alegrias e tristezas. E todo mundo ajuda a criar a meninada. É um cuidado mútuo que eu não vejo nas cidades grandes. Diariamente vem pessoas na minha casa trazer algo gostoso, ou brincar com meus meninos, ou contar uma novidade, ou chorarmos juntos um luto... Mesmo sem sair de casa eu interajo e me conecto com o mundo (experimentei viver isolada em Goiás e não gostei.).

Texto ainda em construção. Nem comecei a falar sobre meus sentimentos, sobre planos, sobre visão ideológica e política... Sobre desafios diários. Sobre a vida a dois, as alegrias e dificuldades...

Escrever é minha forma de expressão. E minha melhor forma de comunicação. Apesar de estar fora de moda. "Ninguém" quer mais ler mais de três linhas. Preferem "ler as figuras".

Eu também aprecio uma boa conversa, mesmo que seja por telefone. Mas quem tem paciência e ambiente silencioso pra conversar por meia hora com um amigo? Quem quer se desconectar das outras coisas e conectar só no interlocutor?

Nós (você e eu), os amigos à moda antiga somos assim. Mas difícil estar num ambiente favorável, com os recursos necessários, com disposição física e mental, e as duas pessoas disponíveis ao mesmo tempo, né? (As duas pessoas dispostas a priorizar um diálogo ao mesmo tempo é raridade.)

E sem criança pentelhando, né!? Kkkk

2019-05 Depressão

(Atenção para a data em que foi escrito este texto: Maio de 2019.) Olá, amigas queridas. Mais ou menos de 3 em 3 meses gosto de ...