No dia 11/12/2018 eu convidei duas doulas Diamantinas para conduzirem meu chá de bênçãos, uma reunião de mulheres para se unirem num momento de celebração à vinda de Catarina. Uma coisa tão suave, tão bonita... Acho que compareceram umas quinze amigas, todas muito queridas, dentre elas três das minhas quatro doulas do Parir.
Foi uma linda e fresca tarde de sol meio tímido. Aos poucos elas foram chegando. As crianças brincando ao nosso redor. Elas prepararam um lugar aconchegante pra eu deitar no meio da varanda. Tudo lindo e fofinho. Eu deitei. Elas em roda em volta. Me cercaram e cobriram de flores. Eu estava vestida de branco, com o barrigão de fora. Enquanto cantavam suavemente e uma delas tocava o violão, eu me sentia flutuar... Foi mágico. Senti forte as presenças das mulheres que amo dentro de mim. As três gestantes presentes se emocionaram. Eu me emocionei! Acho que todos se emocionaram!
Víni estava por conta dos meninos, que brincavam pelo quintal, ora davam uma volta e ora estavam pertinho olhando atentos e tímidos.
Eu sentia cócegas muito suaves enquanto pintavam minha barriga. Eu sentia as massagens nos pés, os toques nas mãos de cada uma que vinha fazer uma oração. Ao longo das músicas de boas vindas elas chamavam por Catarina com muito amor. Eu me sentia no céu. Tudo lindo demais!
Mas cada vez que chamavam Catarina ela respondia! Se mexia toda na barriga! Eu só ouvia e via os sorrisos espantados de todas. Mas não era só isso: as contrações aconteciam, cada vez mais próximas e frequentes. Até que não aguentei ficar mais deitada e me levantei no meio da roda e comecei a dançar, rebolar e respirar. Que onda!!! Todas pareciam não acreditar que a parada estava ficando séria! Até que uma das doulas percebeu e me chamou pra nos examinar no quarto.
A mulherada dispersou com alegria, começaram a confraternizar e comer as coisas lindas e gostosas da mesa que havíamos preparado. Os meninos vieram com seus amiguinhos e sentaram em volta da bacia de pipoca. Eu entre uma contração e outra comia, brincava, ria e trocava abraços "cazamiga". Até que não deu mais. Me recolhi no tão sonhado novo quarto e me concentrei nas contrações.
Pedi ao papai para providenciar umas coisas. As minhas doulas do Parir já começaram a agir e preparar as coisas. Chamaram Natália, a enfermeira obstetra que é a líder do grupo e não tinha vindo porque estava trabalhando no postode saúde. Acho que ela chegou às 18h. Já chegou rindo de ver aquele circo armado, com platéia e tudo! Eu toda pintada e colorida.
Eu tinha progragramado com minha vizinha Preta, que é nosso anjo da guarda no Capão para começar a lavar as roupinhas na quarta, ou seja, no dia seguinte ao Chá de bênçãos. O berço lotado com as roupinhas. Organizadas, porém sem ainda receber a tradicional lavagem e passada a ferro antes de ir pro guarda roupa (novo, comprado só para a princesa!). Mas... Na hora as meninas escolheram algumas e já lavaram e outras só passaram para o primeiro uso. Meio na sorte, pois ninguém sabia o tamanho da boneca.
Escureceu. "Azamiga" foram embora. Eu fiquei no aconchego do nosso ninho de amor (novo quarto! Rsrsrsrs) sob a luz suave. Eu estava tão relaxada que (diferente dos outros partos) consegui vocalizar. A cada contração eu gritava, mas um grito direcionado, concentrando a dor pra baixo, me atravessando e saindo pelos pés. Natália comigo sempre me dando a mão e sussurrando "Deus é Bom". Meu velho mantra pra agradecer e entender que estava tudo certo e fluindo. Víni vinha, me dava um apoio, um carinho, depois saía pra atender as demandas dos meninos.
Eu pedi à Deus e à minha filha ao longo de nove meses para que não virássemos noite na peleja. Também pedi pra viver a experiência inédita de ter o rompimento natural da bolsa. E não é que foi tudo atendido!?!?!? A conexão espiritual foi intensa demais...
As meninas estavam providenciando a banheira e água quente pra colocar no banheiro. Água transparente, de chuva da Chapada esquentando no caldeirão na fogueira das minhas queridas bruxinhas modernas. Eu ansiosa pra deitar de quatro na água como foi no nascimento de Hugo. Mas não sabia de nada, a inocente!
Eu deitei na caminha de Marcelo. Recebi massagem na lombar, carinhos e exames. Tudo certo. E tudo rápido. E tudo profundo. Até que a bolsa se rompeu! Senti aquela cachoeira morna jorrando entre as pernas! Que alegria! Aí a jeripoca começou a piar! Fui pro chão, agachada na beira da cama. Urrei. Chamei Víni. Coloquei ele sentado na minha frente. Pendurei nos ombros dele. Senti a cabeça da minha filha encaixada descendo. Urrei. Sei lá, acho que foram umas cinco contrações até sair o corpinho todo. Eu estava sintonizada com meu corpo, tomei as rédeas, agi junto com a natureza e... Pari! Pus minha filha pra fora com todo respeito e amor do mundo. Foi mágico!
Natália a pegou e desenrolou as duas voltas do cordão no pescoço. Nasceu com o bracinho junto ao rosto, fazendo pose de diva. Logo chorou e abriu os olhinhos curiosos. Papai ficou emocionado, falante e eufórico. Deitei. Natália colocou a minha boneca no meu colo enquanto eu me ajeitava na cama e respirava pra aliviar dores e emoções. Aquele cheirinho tomou conta do ar...
Tudo lindo, tudo bom, tudo perfeito.
As duas amigas fotógrafas emocionadas em volta. (Uma delas grávida!) Todo mundo com cara de bobo, sorrindo.
Marcelo e Hugo se aproximaram para conhecer a irmã. Foi lindo demais! Hugo eufórico, teve xiliques de emoção. Marcelo tímido, mas se derretendo de amor. Um pouco agoniado ao ver sangue, mas foi forte. Papai em êxtase, enviou mensagem para as pessoas mais próximas.
A minha princesa Catarina Rosa nasceu linda, morena, cabeluda, a cara de Marcelo! Com 49cm e 3,15kg. (Graças a Deus veio magrinha! Assim saiu mais fácil! )
Mamãe guerreira aqui feliz e bem.
Depois vieram os procedimentos com placenta. Ave Maria! Acho que incomoda mais que o parto! Mas também com muito amor, respeito e profissionalismo da equipe. Enquanto isso a minha bonequinha grudou no peito! O detalhe é só que enquanto ela mama o útero contrai e dói pra caramba. Mas tudo bem. Ser mãe é isso mesmo. É transbordar de amor e dor ao mesmo tempo.
Depois recebi banho com tanto apoio que não recebia há mais de 30 anos! Rsrsrsrs Fui vestida e retornei pra cama já toda limpinha e cheirosa.
Depois a equipe se despediu com todo o carinho e partiu. A vizinha anjo da guarda Santa Preta chegou e foi preparar uma sopa turbinada. Os vizinhos Luana e Joel, e Andreza fotógrafa também ficaram nos trâmites na cozinha e nas demandas de banho, refeição e sono dos meninos.
Tudo encaixou perfeito.
Santa Preta e Luana me deram uma tijela de sopa com torradas. Detonei! Estava uma onça faminta. Gente, fiquei me achando! Um dia de princesa 5 estrelas!
Depois todos se foram e ficamos nós cinco no aconchego do nosso ninho de amor, ainda sob emoção estonteante, cheirinho bom no ar e as bênçãos de Deus. Dormimos com um cansaço gostoso e um sorriso no canto da boca, como se tivéssemos vivido uma grande aventura.
Gratidão, amor, alegria, aceitação, trabalho em equipe, fé, respeito e luz divina. Assim terminou nosso dia 11/12/2018. O primeiro com quinteto da Família Rosa completo. ♡
Agradeço do fundo do coração a todos que participaram desse grandioso momento, os encarnados e desencarnados, os presentes e os distantes, os que acreditaram no parto humanizado domiciliar e nos que me chamaram de doida bicho grilo! Rsrsrsrs Agradeço até os pedreiros, o pintor, os rapazes que montaram o guarda roupa, enfim, todos que ajudaram a estar tudo pronto para a chegada da princesa! E principalmente ao papai Víni pelo tanto que ele trabalhou e vai trabalhar pra poder nos oferecer tudo isso.
Que essa vibração de amor que transborda por aqui chegue aos vossos lares e toque seus corações. E venham conhecer nossa princesa e nosso harmonioso lar! Vão sentir na pele essa emoção!
Um cantinho virtual onde posso registrar e compartilhar minhas memórias, crônicas, declarações de amor e o que mais o coração pedir. Meu compromisso é apenas com meus sentimentos, não com leitores, com instituições, cronologia, nada. Escrever é a minha forma de me expressar e organizar as ideias. Como tenho três filhos pequenos falta tempo e silêncio para escrever. Logo, todos os textos estão em fase de edição constante.
terça-feira, 10 de setembro de 2019
2019-05 Depressão
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Olá, amigas queridas. Mais ou menos de 3 em 3 meses gosto de enviar um "relatório" com notícias minhas e de minha família. É muito...
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