Otimismo é um estilo de vida para mim. Já passei por tanta coisa nessa vida... Mesmo quando tudo parecia dar errado pouco depois eu via que estava tudo certo. Se eu optasse pelo pessimismo teria morrido aos 15 anos.
Acreditar que vai dar certo, trabalhar contando com isso, é uma forma de exercitar a fé e a esperança. Aliado a essa postura estão a resignação e a resiliência. Características que desenvolvi muito nova, bem antes de conhecer seus nomes.
Sem otimismo e bom humor eu teria sucumbido às tentações para o suicídio ou teria permanecido num constante estado doentio de depressão grave. Mas com o auxílio da espiritualidade, da natureza, da música e dos amigos sempre consegui levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima (como canta Beth Carvalho).
Passar por um momento de dificuldade é normal. O lance é encarar, aproveitar cada recurso disponível para ajudar e olhar ao redor e ver quantas pessoas estão (ou estiveram) em situação muito mais difícil. A gente sente até vergonha por reclamar de qualquer coisa.
Exemplos: a quantidade de pessoas que estão fugindo de seus países com apenas a roupa do corpo, meio sem rumo, sem falar outro idioma, sem dinheiro, sem comida, sem conhecer ninguém, sendo maltratado e humilhado... Tipo o pessoal da Venezuela, da Síria e dos países do Oriente Médio em geral. Esses são casos extremos e distantes. Mas temos muitos exemplos próximos: 1- Eliete (minha vizinha pouco mais velha que eu), tão jovem, com filho pequeno, encarando um câncer e o duro tratamento. 2- Preta (outra vizinha da minha idade), quando teve Álvaro, quase morreu, teve que operar o coração. Foi quase um ano de tratamento, ficando longe dos filhos pequenos. 3- As mulheres de Mambaí GO (onde morei em 2016 e 2017), cujos maridos trabalham nas fazendas e só vêm em casa aos finais de semana. Elas praticamente criam os filhos sozinhas.
Não é uma peleja de alguns dias que vai me assustar. Tenho saúde, tenho filhos saudáveis, tenho um lar confortável, tenho recursos que facilitam a solução de pequenos problemas do dia a dia (como telefone, internet, cartão de crédito, crédito (fiado) no mercado local, vizinhos disponíveis para ajudar, carro, etc...)
Deixe que o amanhã traga suas próprias aflições, sabiamente disse nosso Mestre Maior. Sofrer por antecedência? Jamé! Já basta saber que o pepino vai engrossar em breve. O lance nesse caso é aproveitar bem enquanto não piora (ex: tenho dois filhos com suas demandas e as demandas da casa - diariamente! Sem descanso, sem trégua pra fazer as coisas que gosto, sem poder me deslocar, sem amigos por perto... Fico exausta? Ainda mais com nível de qualidade que gosto de manter... Sim. Muito exausta. Mas tudo bem. É a fase em que estou vivendo. Vou reclamar? Não, afinal daqui a pouco serão três crianças, eu toda arrebentada, peitos arregaçados, com dor pra todo lado, sono infinito, meus hormônios em montanha russa, neném esgoelando, os outros solicitando atenção, etc... Então por enquanto estou no paraíso! Rsrsrsrs)
Claro que tenho meus momentos de fraqueza, de tristeza, vontade de sumir, de chorar, de morrer... Mas pra aliviar e ajudar a voltar para o eixo tenho uma amiga/psicóloga aqui no Capão. Ela me ouve chorar as pitangas sem me julgar ou sem me olhar a partir de um ponto de vista rígido. Ela é respeitosa, compreensiva, cabeça aberta, tranquila e gentil. É minha única válvula de escape atualmente. E no dia a dia tento fazer coisas que me fazem bem pra dar conta e levar tudo mais leve.
E para incentivar a continuar na linha, fazendo o trabalho formiguinha, existem as conquistas que alcançamos periodicamente. Coisas que aos olhos "dos de fora" são bobagens, pra nós é resultado de muito esforço, ao qual iremos desfrutar com muito gosto e amor. Exemplo: cada melhora nesta casa. Estou com Víni há cinco anos e sei o quanto a casa já recebeu investimentos e melhorou. Está cada dia mais aconchegante, agradável, segura e bonita. É nosso lar! Humilde, mas é nosso ninho de amor!
Por isso Víni seca as canelas de tanto trabalhar e eu dou o meu melhor como mãe, dona de casa e esposa. Mais pra frente virão outras funções, demandas e conquistas. Mas hoje nossa missão é esta.
Sem otimismo eu seria uma medrosa. E tenho total antipatia por excesso de medos e receios! Isso trava a vida. Se eu fosse medrosa não teria vivido nem 5% das coisas legais que vivi. Tudo envolve um certo risco e tudo bem. Os riscos fazem parte, são desafiadores e estimulantes. Por quê não tentar, experimentar e até voltar atrás caso dê errado?
Não sou do tipo de pessoa que estaciona na zona de conforto e se fecha para o mundo. Gosto de aventura, da novidade e novas possibilidades. Claro que quanto mais velho a gente vai ficando vai apurando mais os gostos, se conhecendo melhor, ficando mais exigente e chato. Mas isso é o resultado de conhecer muitas coisas e aprender a escolher o que é bom pra nós e excluir o que não convém.
Um cantinho virtual onde posso registrar e compartilhar minhas memórias, crônicas, declarações de amor e o que mais o coração pedir. Meu compromisso é apenas com meus sentimentos, não com leitores, com instituições, cronologia, nada. Escrever é a minha forma de me expressar e organizar as ideias. Como tenho três filhos pequenos falta tempo e silêncio para escrever. Logo, todos os textos estão em fase de edição constante.
terça-feira, 10 de setembro de 2019
2019-05 Depressão
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