Bom dia, minha amiga-irmã-referência de determinação, força e coragem! (E beleza física, que nem precisava.)
Desculpe a demora em responder. Batidão intenso por aqui. Quase nunca tenho tempo, disposição, silêncio, privacidade, energia elétrica, bateria no celular e internet funcionando... São muitos fatores que precisam dar certo junto pra eu conseguir responder as mensagens. Rsrsrs
Hoje estou numa fase, digamos, interna. Dedicação total à família e ao lar. Mas daqui a poucos anos tirarei meus sonhos da gaveta, voltarei a estudar e trabalhar, tirarei carteira de motorista, etc. Tenho minhas conquistas individuais pra fazer. Eu vou conseguir. É só questão de tempo. (Só Deus sabe o quanto quero tudo isso.)
E vamos nos apoiar em todas as nossas lutas, como sempre, graças a Deus. E em breve veremos nossos filhos grandes, cumprindo suas missões e poderemos ficar tranquilas e voltar a dar atenção à nós mesmas.
Preciso completar o textão com algumas informações:
O ritmo do dia é fortemente influenciado pela noite anterior. Se a noite foi tranquila, se todos dormimos direto, se dormimos as horas suficientes, o dia transcorre de boa. Mas se um de nós dormiu mal, principalmente se foi um dos meninos, os outros quase não dormiram também. Se for resfriado, fica difícil porque preciso passar a noite sentada ou em pé para que o menino respire melhor. Se for dor de barriga, aumenta a demanda com as idas ao banheiro. E como o quarto e o banheiro fica em andares diferentes, fica super cansativo subir e descer escadas com criança toda hora. Se um chora, o barulho acorda todos da casa. Se chove forte, com muitos ventos, raios e trovões, a gente fica em estado de alerta e não descansa bem. Isso acontece com uma certa frequência. Quem tem filho sabe sobre essas variáveis que comprometem o bom funcionamento dos nossos corpos durante o dia. Inclusive se não dormimos bem por algumas noites seguidas, ficamos com dor de cabeça, mal humor e lentidão. Por isso, as noites de sono são sagradas e fazemos de tudo para que sejam tranquilas e reparadoras.
Outra coisa importante é nossa interação com a natureza aqui no Capão. O clima é quem dita o estilo do dia. Se amanhece chuvoso e frio, as atividades são mais dentro de casa, é um tipo de alimentação e não tem como fugir dos eletrônicos. Se amanhece de sol, já despacho as crianças pro quintal, Marcelo vai brincar com os vizinhos, eu tento tomar um pouco de sol e ouço rádio. Esse detalhe faz toda a diferença no meu bom humor. Ainda mais agora que Marcelo passa as manhãs na escola, estou me esbaldando com rádio (rádios de BH via web) e músicas. Canto, danço enquanto faço as coisas da casa e relaxo. Além do clima, tem as plantas em geral, com quem temos uma relação muito próxima. Por exemplo agora é época das quaresmeiras que ficam muito roxas enfeitando a paisagem. Tem também as árvores frutíferas que bombam no Vale nos dando frutos, sombra e felicidade. Ah, o céu do Capão é um trem de doido! De dia ou de noite, com lua ou com estrelas, com chuva ou sol... Mas lua cheia e pôr do sol até as crianças ficam eufóricas. É lindo demais! Às vezes rola até fogueira para apreciação.
Um capítulo à parte é a alimentação saudável à qual temos acesso fácil aqui, a um preço barato comparado a muitas outras cidades. Muitos orgânicos são vendidos na feira, nas quitandas, mercados e de porta em porta. Tem até um rapaz que entrega leite de vaca não industrializado em casa (R$3,50 o litro!). Várias opções de alimentos vegetarianos, como pães, tortas, pizzas, sanduíches, salgados, PF's, doces, etc... Tem gente que vende até peixe fresco na porta da gente! A feira além de oferecer diversos produtos bons e baratos, ainda é um ponto de encontro das pessoas. Na feira tem até japonês de verdade vendendo comida japonesa! Tem capoeira, meditação, a criançada brincando livre, malucada fazendo malabares, outros tocando música... Tudo ao mesmo tempo!
A interação social no Capão é um espetáculo à parte. Uma simples ida ao mercado pode ser repleta de abraços, sorrisos, ajudas (eu que o diga carregando crianças e sacolas morro acima) e surpresas (como encontrar velhos amigos e conterrâneos, ou animais livres encantando o dia). Sem falar na quantidade e variedade de eventos culturais como circo, música, dança, medicinas/encontros de terapias de cura, palestras, mutirões ou mesmo uma pelada no campinho... E os noturnos que nem sei...
A cooperação vicinal também me deixa impressionada! Desde situações especiais como um parto em casa até situações simples do cotidiano lá estão os vizinhos participando e dividindo as alegrias e tristezas. E todo mundo ajuda a criar a meninada. É um cuidado mútuo que eu não vejo nas cidades grandes. Diariamente vem pessoas na minha casa trazer algo gostoso, ou brincar com meus meninos, ou contar uma novidade, ou chorarmos juntos um luto... Mesmo sem sair de casa eu interajo e me conecto com o mundo (experimentei viver isolada em Goiás e não gostei.).
Texto ainda em construção. Nem comecei a falar sobre meus sentimentos, sobre planos, sobre visão ideológica e política... Sobre desafios diários. Sobre a vida a dois, as alegrias e dificuldades...
Escrever é minha forma de expressão. E minha melhor forma de comunicação. Apesar de estar fora de moda. "Ninguém" quer mais ler mais de três linhas. Preferem "ler as figuras".
Eu também aprecio uma boa conversa, mesmo que seja por telefone. Mas quem tem paciência e ambiente silencioso pra conversar por meia hora com um amigo? Quem quer se desconectar das outras coisas e conectar só no interlocutor?
Nós (você e eu), os amigos à moda antiga somos assim. Mas difícil estar num ambiente favorável, com os recursos necessários, com disposição física e mental, e as duas pessoas disponíveis ao mesmo tempo, né? (As duas pessoas dispostas a priorizar um diálogo ao mesmo tempo é raridade.)
E sem criança pentelhando, né!? Kkkk
Um cantinho virtual onde posso registrar e compartilhar minhas memórias, crônicas, declarações de amor e o que mais o coração pedir. Meu compromisso é apenas com meus sentimentos, não com leitores, com instituições, cronologia, nada. Escrever é a minha forma de me expressar e organizar as ideias. Como tenho três filhos pequenos falta tempo e silêncio para escrever. Logo, todos os textos estão em fase de edição constante.
quinta-feira, 30 de abril de 2020
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