quinta-feira, 30 de abril de 2020

2020-01 Textão da virada

Quase três meses sem poder escrever. Imaginem minha euforia interna? Textos prontos na cabeça, várias datas comemorativas e conquistas na sequência, emoções pulsando e eu sem conseguir ter oportunidade de colocar as ideias em ordem e expô-las na minha predileta forma de expressão. O verão costuma ser assim mesmo, intenso, rápido, emocionante, gostoso e cansativo. Assim como a depressão do inverno, a alegria do verão é previsível. Afinal, tudo começa com aquela sensação boa de mudança de ciclo de virada de ano, agradecimentos, convívio com a família e paz interior. Aí vem clima de férias. Logo no dia 9 de janeiro vem o aniversário do meu primogênito, que sempre me traz grandes reflexões e sensação de vitória conquistada. Em janeiro tem aniversários de várias pessoas queridas. Os aquarianos espalhando seu brilho no mundo e eu flutuando nas vibrações de alegria e amor. Logo depois vem fevereiro explodindo com meu aniversário que vira e mexe rola no carnaval. O auge! Música, alegria, festa e celebrações à vida bombam dentro de mim, mesmo que ao redor esteja tudo no silêncio da rotina. Só essas datas já alegram por si só, mas esta virada 2019/2020 veio carregada de significados e acontecimentos digamos, revolucionários. É muita coisa. Desligue o wifi, prepare o chá e sente na sua poltrona mais confortável que lá vem textão da JP.

Tudo começou com o aniversário de um aninho da minha caçula, já relatado no textão mais recente que consegui escrever. Foi junto com a cerimônia de fechamento de parto. Foi um trem doido… Enfim encerrei o puerpério de 5 anos que quase me fez desistir de viver.

Bem, já mais empoderada, com ganas de "recuperar o tempo perdido", já estava jogando para o universo que no ano novo iria colocar as crianças na escola e iria trabalhar meio horário apenas em dias úteis. Estava preparando o currículo e escolhendo para onde enviar. Eu queria um trabalho de escritório, onde minha ferramenta de trabalho fosse um computador, onde minha inteligência e habilidades fossem bem aproveitadas e estimuladas a aprender mais. Eu queria um emprego onde eu pudesse ir bem vestida, com as unhas feitas e eu pudesse estar elegante e séria. Eu moro num lugar pequeno, mais pra rural, turístico e com características bastantes peculiares. Então as opções seriam poucas. Eu pensando em estratégias para acertar no alvo, para meu perfil ser exatamente o que os empregadores do meu interesse buscam. Enquanto eu pensava em poucos dias antes do natal tudo fluiu que nem cheguei a imprimir nem um currículo. Vou ter que abrir um parêntese para contar essa parte mais detalhada.

Eu cobrei do meu esposo Víni que ele fosse ao cartório reconhecer firma num comprovante de endereço. Isso numa manhã de segunda-feira. Ao mesmo tempo eu senti no coração e disse: "eu que vou reconhecer sua firma. Eu vou roubar o emprego da menina do cartório." Quando chegou a noite do mesmo dia ele viu anunciado no grupo do Facebook daqui do Capão a divulgação de uma vaga para auxiliar administrativo, que pela pessoa ele deduziu que era para o cartório. Eu senti um frio na barriga. Na manhã seguinte redigi um e-mail de apresentação e enviei um currículo. Foi em meio à agitação matinal do meu trio bagunça, então nem pude caprichar muito. Na quarta recebi um e-mail de volta, da pessoa responsável, me chamando para conversar na sexta. Nem acreditei. Depois de 5 anos apenas como mãe e dona de casa escolhi uma roupa mais elegante, coloquei um saltinho, uma bolsa, um make leve e fui. (Só quem é mãe que só anda descabelada, amassada e com menino pendurado é capaz de entender.) Foi uma conversa simples e rápida. A Tatiane tem um jeito durão, mas demonstrou ter gostado de mim. Ela disse que o que chamou a atenção além do meu jeito de escrever foi eu ter mencionado no e-mail que gosto de burocracia. Parece engraçado, mas é verdade. (Posso escrever um textão só para explicar sobre isso!) Pois bem, já deixamos marcado para eu começar logo depois do natal, em treinamento para aprender o serviço junto com a funcionária que só ía ficar até dia 10 de janeiro. Saí de lá meio zonza, em êxtase. Será que minha hora de colocar a cara na rua tinha chegado!? Sim.

O sucesso da operação dependia do apoio de Víni e de Carol, minha amiga que me ajuda a cuidar da casa e das crianças. Tinha que toda uma engrenagem dar certo para eu conseguir ficar longe de casa por 6 horas diárias. Eles toparam e se desdobraram para me ajudar. Foi incrível. Uma avalanche de emoções…

Eu estava prestes a começar uma nova fase, tão desejada e importante. Eu tinha que conter a emoção e racionalizar. Aos poucos foi tudo se encaixando. Interessante foi que assim como eu havia desejado, o horário era de 8 às 14h, só em dias úteis. Ou seja, nem ía sacrificar o convívio com meus filhos.

Ao mesmo tempo que foi uma delícia ficar 6 horas longe de casa e dos meninos, foi um desafio. O peito gigante e dolorido ainda não tinha entendido que ficaria longe de Catarina. (Detalhe: um só, pois o outro foi abandonado a tempos.) Eu nunca tinha almoçado longe deles. Isso me faz falta. Eu gosto de cozinhar para eles, com eles e por eles. É um vínculo que criamos na alimentação. Agora readaptei, faço uma coisa que nunca gostei: vou para a cozinha à noite e deixo o almoço adiantado para facilitar para a Carol que passou a ficar responsável por eles, pela casa, almoço e lavagem de roupas. Tento deixar tudo esquematizado para dar certo. Todos ficamos mais cansados, mas a causa é nobre.

Importante mencionar que o salário que vou ganhar é o mesmo que pago para a Carol. Ou seja, fico no zero. Mas meu lucro ainda não é financeiro, é minha dignidade e minha saúde que estão em jogo. Depois quem sabe conquisto um salário melhor?

Uma parte difícil de acostumar é sair da cama cedo. Meus filhos dormem comigo, e normalmente durante a noite tem uma movimentação entre amamentação, idas ao banheiro, saga para matar pernilongos, às vezes resfriados, às vezes febres, às vezes dentinhos nascendo, etc, etc… Ou seja, sair da cama antes das 7h tendo dormido pouco é um grande desafio. Deixar os anjos e o papai dormindo na cama quentinha e começar a correria para sair é uma judiação comigo. Mas desde que começou nunca reclamei: levanto, tomo meu banho, preparo café da manhã, me arrumo, vou atendendo as demandas deles (fralda, café da manhã, higiene pessoal de três, carinho, colo, peito, troca de roupa, xamego no papai, etc). Ufa! Sair de casa antes das 8h linda e arrumada é uma maratona. E quando papai está no trabalho que leva 4 ou 5 dias fora? Eu conto com a ajuda de Carol entre 7:30 e 15:30h. Fora esse horário são eles grudados em mim, me demandando dobrado. Tem também as sagas do banho, da alimentação e de colocar para dormir. E passar as sagas das madrugadas sozinha… Só Jesus para dar força. (Fico me perguntando como as mães solo sobrevivem.)

Quase tive um infarto quando tive noção da quantidade de informação que teria que aprender na prática, sem curso preparatório, sem didática e sem auxílio presencial. Aprender a fazer fazendo. A superiora e o resto da equipe dão apoio via internet e telefone, com poucas visitas presenciais. Dentro de duas semanas eu estaria sozinha no cartório, sendo responsável pelo ambiente físico e legal. Ou seja, em poucos dias eu estaria assinando documentos importantes como certidões de casamento e nascimento, além de outros diversos. Isso me deu uma pirada…

O trabalho em si é bem legal. Eu gosto de verdade.

2019-05 Depressão

(Atenção para a data em que foi escrito este texto: Maio de 2019.) Olá, amigas queridas. Mais ou menos de 3 em 3 meses gosto de ...